Você conhece o PNE?

PNE é o PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, e foi instituído pela LEI N° 13.005/2014, e teria vigência de 10 anos a partir de sua data de publicação. O PNE tem 10 diretrizes diferentes, a saber:

I – erradicação do analfabetismo;

II – universalização do atendimento escolar;

III – superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da cidadania e na erradicação de todas as formas de discriminação;

IV – melhoria da qualidade da educação;

V – formação para o trabalho e para a cidadania, com ênfase nos valores morais e éticos em que se fundamenta a sociedade;

VI – promoção do princípio da gestão democrática da educação pública;

VII – promoção humanística, científica, cultural e tecnológica do País;

VIII – estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do Produto Interno Bruto – PIB, que assegure atendimento às necessidades de expansão, com padrão de qualidade e equidade;

IX – valorização dos (as) profissionais da educação;

X – promoção dos princípios do respeito aos direitos humanos, à diversidade e à sustentabilidade socioambiental.

O atual PNE traçou 20 metas para a educação do país a nível nacional.
Até 2024, os seguintes objetivos deverão ser alcançados:

  1. Que todas as crianças até 05 anos de idade estejam sendo atendidas pela educação infantil, e que 50% das crianças de até 03 anos estejam sendo atendidas;
  2. Que 95% das crianças e jovens completem o ensino fundamental até 14 anos;
  3. Ter vagas no Ensino Médio disponíveis a todos os jovens entre 15 e 17 anos, e aumentar o número de matrículas para 85% desses jovens;
  4. Tornar disponível a todas as crianças e jovens portadores de deficiência, transtornos globais do desenvolvimento, assim como altas habilidades ou superdotação, a educação básica especializada e adequada;
  5. Alfabetizar todas as crianças até o 3º ano do ensino fundamental;
  6. Disponibilizar ensino integral em 50% das escolas públicas, para atender a no mínimo 25% dos alunos da educação básica;
  7. Aumentar a qualidade da educação básica para atingir a todas as metas traçadas para o Ideb;
  8. Que toda a população entre 18 e 29 anos tenha recebido ao menos 12 anos de escolaridade, reduzindo as desigualdades no grau de escolaridade entre as regiões do país e etnias;
  9. Até 2015 elevar a taxa de alfabetização da população de até 15 anos para 93,5%, e até o final do PNE erradicar o analfabetismo absoluto e diminuir o analfabetismo funcional em 50%;
  10. Que ao menos 25% das vagas na Educação de Jovens e Adultos estejam integradas à educação profissional;
  11. Triplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio, com qualidade, e expandir em 50% o seguimento público;
  12. Elevar o total de matrículas no ensino superior para 50% da população adulta, e para a parcela entre 18 e 24 anos, aumento para 33% da população;
  13. Elevar o número de professores mestres ou doutores no ensino superior para 75%, com 35% doutores;
  14. Elevar as matrículas e vagas na pós-graduação para atingir 60.000 mestres e 25.000 doutores;
  15. No prazo de um ano, em parceria com os entes federativos, desenvolver uma política nacional de formação dos profissionais da educação;
  16. Que 50% dos professores da educação básica tenham formação em nível de pós-graduação;
  17. Que os profissionais da educação básica na rede pública passem a ter remuneração equivalente aos demais profissionais com o mesmo grau de escolaridade;
  18. Desenvolver um plano de carreira para os professores da educação básica pública no prazo de 2 anos;
  19. Elaborar no prazo de 2 anos um modelo de financiamento e distribuição de recursos que permita a gestão efetiva da educação básica de acordo com critérios técnicos e consulta à comunidade escolar, com apoio técnico e recursos da Uníão;
  20. Aumentar o investimento público à 7% do PIB até 2019, e 10% do PIB até 2024.

Porque eu escolhi o CIDADANIA 23

O Brasil é um dos países no mundo que tem mais partidos políticos – pelo menos é isso que a gente ouve o tempo todo. Dados de Fevereiro de 2022 indicam que, no Brasil, temos 32 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com essa quantidade, tem de tudo – de extrema esquerda à extrema direita.

Quando eu comecei minha caminhada para me posicionar como Pré-Candidato a Deputado Federal, uma das primeiras perguntas que me apareceram foi: “Tá, e a qual partido você irá se filiar?”. Embora essa pareça uma pergunta despretensiosa, ela vem carregada de estigmas e MUITA GENTE não vota em candidatos com ótimas ideias por causa dos partidos aos quais eles se filiam.

Então, eu queria resolver DOIS PROBLEMAS de uma vez:

  1. Não queria um partido extremista – afinal, eu não sou extremista
  2. Eu queria um partido que me acolhesse e acolhesse as minhas ideias

Nesse sentido, eu já conhecia o Paulo Coitinho (vereador em Pelotas) com o qual tive excelentes relacionamentos e interações associadas aos meus projetos esportivos de extensão universitária. Ao conversar com ele, senti um posicionamento muito sincero e consistente em relação ao Cidadania 23.

O Cidadania é um partido de centro (por mais que essa nomenclatura tenha se depreciado no Brasil nos últimos anos). Ou seja, ora ele defende pautas mais à esquerda, ora pautas mais à direita. No Rio Grande do Sul, a pessoa que melhor representa o Cidadania 23 é a Any Ortiz, a candidata mais votada para Deputada Estadual. Ao conversar com ela, vi como poderia ser interessante me filiar ao Cidadania23.

Em uma reunião em Porto Alegre com vários dirigentes do Partido, sai com a percepção que desejava: Eu poderia me posicionar SEM SER OBRIGADO a seguir votações em bloco fechado, e poderia exercer minha autonomia – como fazem todos os parlamentares do partido.

A partir desse contexto, tive a convicção de que a escolha do CIDADANIA poderia me proporcionar base de sustentação para colocar uma campanha na rua e experiência para lidar com os trâmites burocráticos. Agora é trabalhar sem parar até outubro – e fazer valer cada gota de suor em prol de dias melhores.

#nósSOMOSaMUDANÇA

O que faz um DEPUTADO FEDERAL?

Muito candidato promete mundos e fundos para o eleitorado – mesmo que suas promessas não possam ser cumpridas! Este é um dos males que afeta o respeito que a população brasileira tem por políticos. Por isso, é relevante que se saiba exatamente as atribuições de um DEPUTADO FEDERAL.

O primeiro ponto: DEPUTADOS FEDERAIS são eleitos pelas pessoas [eleitores] do mesmo estado que ele. Ou seja, um candidato do Rio Grande do Sul só pode receber votos de eleitores do Rio Grande do Sul. No Rio Grande do Sul são eleitos 31 congressistas, que irão trabalhar em Brasília a favor da nação, do seu estado, região e cidade de origem.

Depois de eleito, um DEPUTADO FEDERAL tem DUAS atribuições principais: LEGISLAR e FISCALIZAR.

Quanto ao primeiro aspecto, ele pode:

  1. Propor novas leis, a partir de PROJETOS DE LEI
  2. Sugerir alteração ou revogação (“cancelamento”) das leis já existentes
  3. Discutir e votar MEDIDAS PROVISÓRIAS, editadas pelo Governo Federal

Além disso, destacam-se as funções de (1) discutir e votar o orçamento da União (para onde é destinado o dinheiro dos impostos dos contribuintes) e (2) fiscalizar a aplicação adequada dos recursos públicos. Durante a análise da proposta orçamentária que os deputados apresentam as EMENDAS (Propostas de ajustes nas redações dos Projetos de Lei) para destinar verbas para a realização de obras específicas em seus estados e municípios. Inclusive, é função dos DEPUTADOS FEDERAIS identificar se há alguma irregularidade ou se há alguma verba que será mal aplicada.

DEPUTADOS FEDERAIS também têm a obrigação de controlar os atos do Presidente ada República e fiscalizar as ações do Executivo. Inclusive, esses congressistas podem convocar Ministros de Estado para prestarem informações de interesse da nação.  Ao identificarem gastos irregulares do dinheiro público, DEPUTADOS FEDERAIS podem acionar o Tribunal de Contas da União (TCU) para abrir uma investigação.

Por isso, é muito importante que esses congressistas também tenham formação ESPECÍFICA, para que seu nível de formação ajude na compreensão dos detalhes relacionados à sua área de domínio. Eu, por exemplo, sou formado na Área da Saúde, com uma grande atuação na área da Educação. Sou docente no ensino superior desde 2004, tenho mestrado em Saúde Coletiva e Educação Física e doutorado em Treinamento Esportivo. Ou seja, ficarei muito mais atento às discussões relacionadas à Educação, Saúde, Ciência, Educação Física e Esporte – embora não possa me eximir de estudar e discutir outros temas.

Porque eu decidi “entrar” para a Política

O analfabeto político

O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos
acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do
feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e
do remédio depende das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e
estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe
o imbecil que da sua ignorância política nasce a
prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os
bandidos que é o político vigarista, pilantra, o
corrupto e lacaio dos exploradores do povo.
(Berthold Brecht)

Eu escolhi entrar para a Política porque cansei de ficar gritando aos quatro cantos sobre a importância da saúde, da educação e da ciência & tecnologia para um crescimento mais amplo e sustentável.

Aprendi que, se queremos ver mudanças, precisamos ser a mudança que queremos ver no mundo. Assim, resolvi sair da minha zona de conforto para abraçar esse grande desafio: Ser um pré-candidato a Deputado Federal pelo Rio Grande do Sul.

Assim, ao longo dos próximos meses vou compartilhar ideias sobre o que penso que pode ajudar o Brasil a crescer e ser um país com justiça e equidade social, com oportunidades para todas as pessoas que aqui vivem.

Na barra CINZA acima você poderá ler quais são minhas ideias, projetos e propostas para diferentes áreas de atuação quando eu estiver no Congresso Nacional! Você vem junto?

Vem comigo, pois #nósSOMOSaMUDANÇA

A Educação física pode(ria) estar afastando crianças do esporte?

A todo momento recebo links de matérias diversas, e um dos meus alunos enviou um com um título bastante curioso “A educação física pode estar afastando seu filho do esporte”. Assusta, né?

O autor indica que a Educação Física – embora não deixe claro, parece-me ser a escolar (EFE) – precisa ser reformulada. Olha, entrei na área em 1998 e, desde antes disto, já existem diversos materiais que visam à transformação da EFE. Desde livros clássicos, como “Educação de corpo inteiro” e “Metodologia do ensino de Educação Física”, bastante conhecidos na área por quem não tem veia exclusivamente bioologicista e faz concursos para professor, até outros mais amplos, como “Transformação didático-pedagógica do esporte” e “Iniciação esportiva universal”. Além deles, também vale a pena destacar que existem diversas propostas estaduais para o ensino da EFE, como em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. São mais de 10 propostas estaduais já apresentadas, como mostram Tenório et al. (2012). Se os docentes, no cotidiano do chão da sala, fazem uso deste material, bem, é outra discussão. Mas que existem documentos excelentes para formação e atuação profissional não há dúvidas!

No texto, ele ainda diz, claramente, que “para uma criança aprender uma habilidade em nível interessante, são necessárias dez mil repetições de cada um dos movimentos nas mais diversas situações”… e questiona se o esporte poderia/deveria ser aprendido nas aulas de EFE. Por favor, alguém me diga o que é “nível interessante”? Eu sinceramente não tenho a menor ideia do que é isto e, no máximo, consigo compreender que possa haver padrões em estágios mais iniciais, elementares ou maduros, como classificariam Gallahue e Ozmun (2001). Especificamente quanto ao NÚMERO 10.000 (dez mil), os estudos vão no sentido de 10.000 HORAS DE PRÁTICA, teoria desenvolvida – ou pelo menos muito divulgada – pelo Ericsson, há mais de 20 anos! Curiosamente, e bem na área do movimento humano, esta regra tem sido quebrada em alguns contextos, evidenciando-se como falha. Pelo menos dois exemplos: estudo com velocistas dos Estados Unidos da América demonstra que, nem de longe, os melhores necessitam de 10 anos ou 10 mil horas de prática (Lombardo; Deaner, 2014) e o livro “A Genética do Esporte” tem um capítulo muito legal mostrando que, além de provas de velocidade, outras, como de saltos em altura, também parecem acabar com a tal regra dos 10 anos ou 10 mil horas… Se você ainda não está certo disto, sugiro que leia alguns dos textos no blog “The Science of Sport” sobre o assunto aqui e aqui.

Além disto, aponta-se que “(…)o modelo proposto e experimentado pelas crianças é competitivo e excludente, de forma que se prioriza a minoria dos alunos habilidosos em detrimento dos demais”, falando que há maior quantidade de jogos competitivos em detrimento a jogos cooperativos, o que gera experiência negativa entre os estudantes, e que irá afastá-lo da prática de atividade física. Isto é tão inverdade, mas tão inverdade, que diversos PRÊMIOS recebidos por professores de Educação Física Escolar por seus modelos de aulas e de planejamento. Alguns exemplos? O PRÊMIO EDUCADOR NOTA 10, da Fundação Victor Civita pode ajudar:

2007 = Esportes de Tacos e Raquetes

2009 = Movimento, saúde e qualidade de vida

2010 = Lutas nas aulas de educação física

2011 = Atividades Circenses

2013 = Saúde e lazer x competição

2015 = Rope Skipping

Tais evidências são a materialização de que a EFE já transcendeu a lógica esportivista há décadas. Diversos docentes avançaram e otimizaram as potencialidades a partir do movimento corporal. Achar que aulas de Educação Física Escolar AINDA abarcam apenas o esporte é ser raso e superficial demais. A informação está aí para ajudar na formação. Inclusive, há alguns anos, um texto à Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde deixava uma série de opções e indicações de conteúdos para além da educação física esportivizada ou higienista

Equivocadamente, o autor explicita que competição é “ruim”, ao dizer que “Alguns ainda têm aquele velho discurso de que a competição é importante para a vida”, e era mais dizendo que há modelos de esportistas que não devem ser seguidos na “competição da vida real”. Não é a competição que é ruim ou boa – o AGON está presente no cotidiano da humanidade de diferentes formas, e o esporte moderno apresenta diferentes formas do Agon. Inclusive, há evidência apontando que, por exemplo, medalhistas olímpicos vivem de 2 a 6 anos MAIOS do que a população de referência (Clarke et al. 2012), e isto não pode ser ignorado. Se há modelos de esportistas que não devem ser seguidos, ótimo! Que isto seja objeto de discussão no processo de ensino-aprendizagem. Por outro lado, não há modelos de esportistas que DEVEM ser seguidos? Estes também precisam receber atenção…

Uma das partes que tenho a tendência a concordar é que, como disciplina, a EFE “também é um dos responsáveis pelo crescimento do bullying escolar”, em decorrência da exclusão dos menos habilidosos, por exemplo. Oras, está amplamente disseminado que pessoas diferentes tem habilidades e competências distintas e, neste sentido, nem todo mundo apresentará o mesmo desempenho para tarefas distintas, como música, matemática ou educação física. Uma possibilidade de aprofundamento sobre este assunto diz respeito às inteligências múltiplas. Tem um livro bem interessante de um grande colega, que pode ilustrar tal cenário tão complexo.

E se, como o autor diz, a EFE “acontece na cabeça”, ora pois, é perfeitamente se aprender esporte na escola… exatamente como tempo-espaço para “vivenciar, entender, sentir e aí sim escolher qual atividade cada um gosta mais para num período fora da aula”! Inclusive, a escola pode ser mola propulsora para diversos comportamentos fora dela… Os estudos de tracking estão aí para isto, tanto na atividade física não esportiva, quanto no esporte!

Também concordo que “Aula de educação física não é momento de lazer nem de extravasar como alguns sugerem”. Porém, eu gostaria de mais cautela com afirmações deste tipo… Afinal, e o tal ditado do Confúcio: “ESCOLHA UM TRABALHO QUE VOCÊ AME E NÃO TERÁ DE TRABALHAR UM ÚNICO DIA DE SUA VIDA”? O que mais quero, é que as crianças AMEM e se DIVIRTAM fazendo aulas de Educação Física. Mas não só EFE, também quero que elas gostem de fazer aulas e se divirtam estudando Matemática, Ciências, Português, Inglês, Estudos Sociais e etc. A reforma necessária não é só do ensino. Profissionais precisam ser reformados, especialmente os que estão distantes da temática e querem falar sobre ela.

Exercício Intervalado pode ser melhor que Contínuo para biogênese mitocondrial

A leitura de artigos científicos não é uma prática frequente fora do meio acadêmico. Eu, particularmente, até acho que jovens no ensino médio deveriam ter contato com este tipo de produto, pois uma parcela elevada deles vai seguir no ensino formal, estudando em diferentes cursos nas mais variadas faculdades e universidades.

Assim, para ilustrar o contexto de leitura e das partes de um texto acadêmico publicado em uma “boa” revista, vou descrever o conteúdo de um artigo chamado “Sprint-interval but not continuous exercise increases PGC-1α protein content and p53 phosphorylation in nuclear fractions of human skeletal muscle”, que pode ter o resumo gratuitamente acessado clicando aqui, ou o artigo todo clicando aqui.

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Ele foi publicado na “Scientific Reports” (www.nature.com/srep/about), com tradução abrasileirada de “Relatórios Científicos”, uma revista do grupo da Nature (uma das 2 revistas científicas mais famosas do mundo) e tem fator de impacto de  5.228, ou seja, não tem um elevado impacto científico na produção internacional do conhecimento, mas não é de se desprezar… Por exemplo, na área da Educação Física, o periódico brasileiro com maior fator de impacto é a “Revista Brasileira de Medicina do Esporte” e ele não chega a 0,5. Na verdade, é de exatamente 0,18 (http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_serial&pid=1517-8692&lng=en&nrm=iso).

Primeiro, vamos voltar para o título. Ele pode ser traduzido como “Sprints intervalados mas não exercício contínuo aumenta o conteúdo proteico de PGC-1α e a fosforilação da p53 e, frações nucleares do músculo esquelético humano”. Ok, é possível que muita gente já desista do artigo só pelo título, mas olhe por outro lado, ele já apresenta um resultado – provavelmente o resultado mais importante do estudo. Qual? Que o Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT), mas não o exercício contínuo aumenta duas coisas diferentes, uma relacionada à PGC-1α e outra relacionada à p53! Para fazer as “devidas ligações”, resta saber o que são ambas. Resumidamente, a PGC-1α é uma proteína que, quando ativada, solicita biogênese (crescimento) de mitocôndrias. Ou seja, mais conteúdo desta proteína pode aumentar a chance da comunicação para elevação das mitocôndrias, ou seja, o conteúdo proteico per se não garante aumento de capacidade mitocondrial – ele apenas “solicita” que haja este aumento. Se vc quiser saber mais sobre o PGC, veja na Wikipedia (https://en.wikipedia.org/wiki/PPARGC1A) ou em um conteúdo mais… acadêmico (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17108241).

Além da PGC-1α, o treino com sprints também aumentou mais a fosforilação da p53. Em geral, quando uma proteína está fosforilada – fosforilação é a adição de um grupo fosfato (PO4) – ela fica “ativa”, e funciona (mais ou melhor). A p53 é famosa por ser uma supressora de tumores (https://en.wikipedia.org/wiki/TP53), no entanto, no contexto deste estudo, destaca-se sua função TAMBÉM no perfil das mitocôndrias…

Tudo o que você leu até aqui é para explicar… o significado do título do artigo.

Bom, fora o título, também vale a pena destacar que o artigo foi publicado por autores que estão vinculados a instituições na Austrália (Granata, Oliveira e Bishop), Alemanha (Renner) e Canadá (John Little). Se você clicar no link vinculado ao sobrenome dos autores, irão aparecer suas publicações que estão cadastradas no PUBMED – a maior base de dados científicos da área biomédica. Se tiver curiosidade, os artigos que colaborei, e estão no pubmed, podem ser localizados clicando aqui.

Também vale destacar o tempo entre submissão e publicação (item 4). O artigo chegou na revista em AGOSTO de 2016 e em MARÇO de 2017 estava publicado. Este tempo é MUITO BOM, se não for EXCELENTE! Normalmente revistas (BEM) pagas que demoram este tempo curto. Normalmente, coisa entre 12 e 18 meses é considerada “normal”. Assustador, mas normal… afinal, a ciência é muito rápida, e esperar 2-3 anos até um artigo ser publicado é preocupante. Por isto que algumas revistas tem uma seção chamada de Ahead-of-Print, ou seja, artigos aprovados, mas que não foram publicados ainda. Às vezes, a fila de publicação é grande e, portanto, demora bastante tempo para a publicação…

O resumo tem 205 palavras, e não vou entrar nos seus detalhes, por que o artigo completo traz as informações do resumo… Ao contrário do que acontece aqui, as pessoas normalmente leem apenas o resumo. Nosso caso vai ser diferente. Não vou falar do resumo, e vocês só lerão sobre o texto completo. Se quiser ler o resumo, pega o artigo 😉

Quanto ao texto completo, vale destacar uma informação legal. O artigo NÃO ESTÁ no formato IMRD, ou seja, Introdução, Métodos, Resultados e Discussão, embora este seja o modo (quase que universalmente) mais aceito…. O artigo é apresentado em outro formato – INTRODUÇÃO, RESULTADOS, DISCUSSÃO, MÉTODOS e, então, referências. Assim, diferentemente do que alguns intelectualóides pensam, até grandes revistas dão mais valor à apresentação de introdução e resultados, deixando métodos para aqueles mais aficionados e interessados em pormenores (o que se constitui por 5% dos leitores – sendo otimista).

Na introdução, especificamente, os autores recuperam informações relacionadas à capacidade do exercício físico proporcionar biogênese mitocondrial, e que isto pode ajudar no aumento da capacidade de oxidar substratos. Além disto, destacam que o exercício pode contribuir na prevenção de doenças crônicas e indicam a recomendação de 150 min por semana. Aí, já partem para falar que o povo não tem tempo (claro que não… Netflix), e que formas mais tempo-eficientes poderiam ser úteis. Terminam o 1º parágrafo falando o que é SIT – Sprint Interval Training e que existe limitada informação sobre seu impacto em eventos moleculares que regulam a biogênese mitocondrial, especialmente em comparação ao exercício aeróbio contínuo.

O segundo parágrafo explica as variáveis dependentes do estudo, a PGC-1α e a p53. Quanto à primeira, indicam que ela modula a transcrição genética no núcleo da célula para biogênese mitocondrial. Apontam que há controvérsias quanto ao “timing” e magnitude do conteúdo proteico da PGC-1α no músculo esquelético humano. Para isto, ilustram apontando que há efeito do SIT após 3h de recuperação, mas que com exercício contínuo os resultados são conflitantes entre positivo após 3h e ausência de modificação. E esta controvérsia, para os autores, poderia ser devida ao baixo “n” amostral dos estudos prévios – com 4 a 6 pessoas – e em decorrência das diferenças considerando o nível de aptidão física dos participantes. Neste parágrafo, os autores ainda apresentam outra limitação dos estudos, a coleta de poucos pontos temporais, não proporcionando a possibilidade da análise temporal dos efeitos do exercício nesta variável.

O terceiro parágrafo é sobre a p53, indicada como fator chave para a biogênese mitocondrial derivada do exercício. Levantam a lacuna de não haver estudos investigando a p53 NUCLEAR, apesar de investigações prévias investigarem os efeitos do exercício contínuo na p53. Ah! Registram que não existem estudos sobre os efeitos do HIIT na p53.

O quarto parágrafo apresenta outra variável dependente, a PHF20, uma reguladora da p53, que já foi investigada com HIIT e exercício contínuo, sendo que 4 semanas de HIIT All-Out tende a aumenta-la, o que não acontece com o exercício contínuo. No entanto, segundo os autores, não são conhecidos os efeitos AGUDOS do exercício no conteúdo NUCLEAR da PHF20, nem se exercícios diferentes geram resultados distintos!

O último parágrafo da introdução apresenta a proposta do estudo, que é comparar os efeitos de uma sessão única de exercício contínuo e de SIT em proteínas regulatórias associadas com biogênese mitocondrial no núcleo e no citoplasma de músculo estriado esquelético humano. Eles hipotetizaram que o exercício aumentaria estes marcadores, e que o SIT aumentaria em maior magnitude que o exercício contínuo, com menos tempo e menos trabalho realizados.

*Preste atenção na estrutura da introdução: Os autores começam falando dos benefícios do exercício, dos problemas relacionados à falta de exercício, e das barreiras à prática – neste caso, uma barreira falaciosa, mas usual. Aí indicam o SIT como possibilidade de prática, e que há lacuna na literatura sobre eventos moleculares relacionados a ele. Os parágrafos seguintes estão a serviço da realização de uma mini-revisão da literatura considerando as variáveis dependentes, e suas relações com os tipos de exercícios propostos no estudo, sempre explicitando a lacuna científica e as limitações dos estudos prévios.

Aí, como eu disse antes, os autores vão para os RESULTADOS. Mas, didaticamente, eu vou apresentar primeiro os MATERIAIS e MÉTODOS, que eles chamam apenas de “MÉTODOS”, e que nunca devemos usar o termo “Metodologia” em um artigo original…

Foram recrutados 20 homens saudáveis de 18 a 35 anos não fumantes, livres de medicamentos e moderadamente treinados, sem estarem engajados em esportes cíclicos. Os autores falam dos aspectos éticos, mas não trazem dados sobre cálculo do tamanho amostral, procedimento muito frequente no cotidiano acadêmico. Ou seja, porque recrutaram 20, e não 10 ou 30 participantes? “- Porque eles quiseram” não é uma resposta adequada.

Foram realizados dois tipos de “testes”: um teste aeróbio incremental e um outro exercício (contínuo ou sprint intervalado) com biópsias musculares. Se você nunca viu uma biopsia muscular, clique aqui e veja. Os autores também descrevem os cuidados pré-testes, como 72h sem exercícios extenuantes e álcool, bem como nada de exercícios nas 24h prévias. Nas 3h antes dos testes, nada de cafeína ou comida.

Após as medidas iniciais, os participantes foram randomizados em dois grupos, a partir de ordenamento contrabalanceado reverso. Ou seja, dos dois melhores sujeitos quanto ao LIMIAR ANAERÓBIO, um ia para cada grupo, os sujeitos 3 e 4 iriam, em ordem inversa ao sorteado anteriormente, e assim sucessivamente. Eles foram alocados em dois grupos – CONTÍNUO (CE) e Sprint Intervalado (SIE). Estes indivíduos, depois, iriam participar de um outro estudo, que durou 4 semanas… Os dados dos sujeitos são apresentados na tabela abaixo.

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O teste aeróbio foi feito numa bicicleta Lode para determinar FC pico, Consumo de oxigênio pico, potência pico e limiar anaeróbio com método DMAX (que explicarei um dia). No entanto, os autores falam sobre duração dos estágios (4min), mas não da carga incrementada a cada estágio, reportando para artigo previamente publicado. Suponho que foram aumentos de 30W, considerando incrementos de 7,5W para minutos completados em um estágio incompleto. Além do consumo de O2, também mediram a concentração de lactato.

Para as biópsias musculares, coletas foram realizadas de manhã, e aos participantes foi oferecida alimentação padronizada com vistas a diminuir o efeito da ingesta alimentar na expressão gênica. Foram realizadas duas biópsias, uma antes, outra após a sessão de treino (CE ou SIE) e a última 3h após a sessão.

Quanto aos treinos CE e SIE – O exercício contínuo (CE) foi feito por 24 min de modo contínuo em uma bicicleta com intensidade equivalente a 90% do limiar anaeróbio. Considerando aquecimento, a sessão toda durou 32 mim, e estava dentro do que as diretrizes do ACSM indicam para um estímulo “aeróbio”. O SIE – exercício com sprints intermitentes foi feito após o mesmo aquecimento de 6 min, sendo cumpridos 4 sprints de 30s contra resistência de 7,5% da massa corporal do indivíduo o mais rápido que ele podia, e 4 min de recuperação (não dita se ativa ou passiva). A sessão toda durou 22 min, incluído aquecimento.

Foram realizadas diversas análises da musculatura estriada esquelética que foi retirada na biopsia feita. Analisaram-se frações do núcleo e do citosol da célula muscular, mas amostras de só 9 participantes de cada grupo foram suficientes para as análises. Com estas amostras, foram feitas as análises de proteínas (que, além da PGC-1α e a p53, explicarei as funções nos resultados). Além das proteínas, concentração e expressão de RNA também foram analisadas.

Na análise estatística, os dados, a princípio, são apresentados como média e desvio padrão. As comparações das variáveis de interesse, segundo protocolos, foram feitas com um teste t não-pareado. Também foi realizada análise de variância (ANOVA) de medidas repetidas quando as variáveis foram medidas ANTES e DEPOIS do exercício. Além do p-valor, também apresentam o tamanho do efeito, segundo o “d” de Cohen.

Agora vamos para os resultados! Parte deles é apresentada lá na tabela 1 mesmo… A sessão CE demandou maior produção de trabalho, embora maior produção de potência tenha sido observada na sessão de SIE, ambos os treinos aumentaram a concentração de lactato, mas o SIE aumentou 3x mais que o CE! No treino contínuo os caras ficaram perto de 80% da FC e no SIE a FC chegou a mais de 90% do máximo.

Nas análises musculares, a proteína p53 (lembra dela? Se não lembra volte à introdução) aumentou em relação ao repouso. E isto vale para a p53 do núcleo e do citosol.

A figura abaixo mostra os valores da p53 “sozinha” e em unidades arbitrárias, ou seja, a partir dos dados do western blot

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Mas existem dados da p53 com controles adicionais, e aí a informação é um pouco mais impactante, pois os seus valores são estatisticamente diferentes entre SIE e CE no momento imediatamente após o treino:

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Os autores também apresentam os valores da PH20, proteína que regula a p53, e ela aumenta nos dois modelos de exercício no momento pós-treino:

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Uma outra informação interessante é que a p38 MAPK também aumentou mais após o SIE que o contínuo:

Granata07

A p38 é uma proteína responsiva a estímulos estressantes e, quando fosforilada (ativada), está relacionada à apoptose celular. Ao mesmo tempo, favorece para aumento de fatores transcricionais que contribuem para a miogênese, ou seja, para o desenvolvimento das células musculares.

Os dois tipos de exercício aumentaram a quantidade de acetil-Coa carboxilase, sem diferenças entre eles.

Quanto à expressão gênica, não houve efeito na p53, mas sim na PGC-1α, sem diferenças entre tipos de treino. No entanto, para conteúdo proteico de PGC-1α, houve aumento superior no SIE em comparação ao CE tanto no núcleo (já imediatamente após), quanto no citosol (3h após o treino):

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Nesta parte de resultados tem mais algumas informações que valem a pena ser apreendidas, especialmente para pessoas mais ligadas à parte da bioquímica aplicada ao exercício. Como mensagem geral DOS RESULTADOS, indica-se que o SIT gerou maior estresse metabólico, e isto fez com que o RNA e proteínas relacionadas à biogênese das mitocôndrias “girassem mais”!

Após os resultados é apresentada a DISCUSSÃO dos dados.

São 12 parágrafos de discussão tentando explicar os achados do estudo, e suas principais implicações. Em geral, um jovem estudante está cansado da leitura quando chega a este ponto (Discussão). No entanto, vale a dica: A discussão é (ou deveria ser) a parte mais legal do artigo!

Antes dela iniciar, é importante salientar que, NESTE ESTUDO, os efeitos relatados acima são decorrentes de UMA ÚNICA sessão de treino. Ou seja, são agudos. No entanto, também é importante destacar que os autores TAMBÉM publicaram os dados de 4 semanas de treino, com efeitos crônicos, que podem ser acessados nesse artigo: “Training intensity modulates changes in PGC-1α and p53 protein content and mitochondrial respiration, but not markers of mitochondrial content in human skeletal muscle”.

 

Vamos para a discussão?

Seu início é mais ou menos assim: “Pela primeira vez um estudo relata que somente SIE, e não CE, foi associado com aumento na p53 fosforilada após o exercício em fração nuclear de musculo esquelético humano”. Os autores relativizam este achado reforçando a ideia que o tempo e curso do acumulo da p53 e da PGC-1α nuclear pode ser diferente no SIE e no CE.

Mas também indicam que o SIE pode ser um estímulo mais potente para induzir alguns eventos moleculares associados com a biogênese mitocondrial.

Oportunidade de Bolsa na ESEF/UFPel

Amanhã (21 de março, segunda feira) será publicado o edital para seleção de bolsistas para o projeto de extensão “REMAR PARA O FUTURO”. Ele foi criado em 2015 e, no mesmo ano, além de ter conseguido apoio da Prefeitura Municipal de Pelotas, também foi contemplado no edital PROEXT/SeSU/MEC.

Alunos da ESEF/UFPel que atendam aos requisitos para inscrição podem se candidatar. Mais informações no site: https://goo.gl/wzy9Xd

Se você gosta de trabalhar com jovens atletas dedicados, empenhados e focados no objetivo de fazerem a diferença no esporte estadual e nacional, aqui pode ser seu lugar! Você pode aprender a estruturar processos de treinamento esportivo, preparação física e, inclusive, adquirir experiência em aplicar sessões de condicionamento. Além disto, a vivência com uso de barcos e com o remoergômetro, tão usado nos dias de hoje nos melhores centros de condicionamento físico de atletas e não-atletas, pode fazer você ser um profissional diferenciado!

Atente-se às datas. Mas só se candidate se você acha que pode realizar a diferença na vida de jovens esportistas e julga que tem um excelente potencial para crescer na área de educação física!

Se você não tem o perfil acima, mas conhece alguém da EEF/UFPel que pode se encaixar nesta ideia, por favor, compartilhe a informação.

Proext-Remar

GEPETED – Seleção de novos membros

GEPETED-VAGAS PARA NOVOS MEMBROS.2015.01

O Grupo de Estudos e Pesquisas em Treinamento Esportivo e Desempenho Físico (GEPETED) da ESEF/UFPel, devidamente registrado no diretório de grupos do CNPq (http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/1456223823424170) abre processo seletivo para preenchimento de até 5 vagas para alunos de graduação NÃO FORMANDOS em 2015.

Os pré-requisitos para inscrições são:

1) Ter livre TODAS as quartas-feiras, das 12h às 14h para reuniões ordinárias.

2) Apresentar comportamento pró-ativo

3) Exibir interesse de pesquisa em temas vinculados à Educação Física, Atividade Física, Exercício Físico, Aptidão Física, Desempenho Esportivo, Esportes.

4) Ser auto-motivado, responsável e maduro para assumir e cumprir compromissos acadêmicos.

5) Ter tolerância para trabalhos em grupo.

Nós oportunizamos: Experiência no ensino, pesquisa e extensão; Capacitação técnica e científica; Iniciação à pesquisa. Nosso grupo de pesquisa tem colaborado com diferentes iniciativas na cidade de Pelotas, como, por exemplo:

Avaliações físicas e esportivas:

http://redeesportiva.com.br/content/avaliacoes-fisicas-na-baixada/

http://ecpelotas.com.br/2015/01/dias-de-avaliacoes-fisicas/

Organização e aplicação de treinamento físico:

http://diariodamanhapelotas.com.br/site/taekwondo-pelotas-garante-atletas-na-selecao-gaucha/

Participação em diferentes eventos científicos:

https://instagram.com/p/3uTnS9THTZ/?taken-by=fabricioboscolo

Publicação de artigos, livros, capítulos de livros, bem como organização de atividades acadêmicas!

Para se inscrever, candidatos devem ser alunos de graduação da UFPel, e entregarem:

1) Currículo Lattes atualizado, e com e-mail.

2) Carta de interesse com memorial descritivo.

até o dia 24 de junho de 2015 para um dos seguintes membros do grupo:

Prof. Dr. Fabrício Boscolo Del Vecchio, Profa. Dra. Bianca Miarka, Profa. Ms. Leony Morgana Galliano, Prof. Ms. Victor Silveira Coswig, Prof. Ms. Yuri Salenave Ribeiro, Prof. Ms. Léo Dutra Cabistany, Profa. Ms. Martaliz Dimare, Prof. Esp. Marcelo dos Santos Vaz, Prof. Esp. Rossano Diniz, Mariana Lopes Alvariza, Camila Borges Muller,
Augusto Rico, Charles Bartel, Rodrigo Guimarães, Andressa Formalioni, Bianka Zanini (Fac. Nutrição) e Cássia Goulart (Fac. Nutrição).