Artes Marciais e Esportes de Combate: Oportunidade para estudos.

Desde o início de 2000, mais precisamente, eu me aproximei de um cara que mudou minha vida, o Emerson Franchini. Tivemos várias experiências acadêmicas juntos, desenvolvemos livros, capítulos de livros, artigos, projetos, pesquisas, participamos juntos de congressos nacionais e internacionais, palestras e um monte de refeições… 😉

Um dos pontos que nos liga é o interesse pelas Lutas, Artes Marciais e Modalidades Esportivas de Combate e, quando eu escolhi vir para Pelotas/RS, o fiz pois queria contribuir na disseminação deste conteúdo e explorar novas possibilidades. Frente a uma série de limitações e características locais, optei por não trabalhar diretamente com lutas, o que foi bom e ruim… Neste momento, volto minha atenção para esta temática, para reforçar o nosso grupo de estudos e pesquisas em Lutas, Artes Marciais e Modalidades Esportivas de Combate, da EEFE/USP. Além de um blog extremamente atualizado pelo próprio Emerson (http://esportesdecombate.blogspot.com.br/), o grupo também está institucionalizado no Diretório de Grupos do CNPq (http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhegrupo.jsp?grupo=006740918IU3BK).

Em Pelotas, iremos desenvolver estudos nos quais o grupo desenvolveu expertise, além de avançarmos em questões com pertinência local, a partir das características das pessoas interessadas e envolvidas!
Espero contar com a participação dos amantes das Lutas, Artes Marciais e Modalidades Esportivas de Combate.

Imagem

Atenção Básica à Saúde no SUS: uma herança com testamento

Atenção Básica à Saúde no SUS: uma herança com testamento

Maria Fátima de Sousa, Ana Valéria Machado Mendonça -Professoras da Universidade de Brasília

A Atenção Básica à Saúde (ABS) no Brasil vem desde o século passado tentando abrir um raio de sol no céu nublado do Sistema de Saúde. Nublado porque a acolhida dessa agenda entre governos de diferentes matrizes ideológicas teima em não deixar seus raios brilharem. Ainda assim vários são os feixes de luz, traduzidos em ideias, movimentos, processos e práticas, nos mais heterogêneos, complexos e singulares territórios municipais.Lá nas 5564 cidades, a ABS revela outros sentidos na arte de cuidar da saúde de cada pessoa. Assim, deixa estrada afora suas pérolas como testamento de sua herança, ainda que entre tormentas políticas e socioculturais que, historicamente, insistem em dificultar a edificação de um sistema público de saúde, universal, integral e de qualidade.

A primeira tormenta é a irracional concentração de “tecnologia de ponta” em grandes centros urbanos em detrimento das pequenas e médias cidades; a segunda, a acelerada e incontrolável elevação de custo do atendimento médico, já insuportável inclusive para as economias mais desenvolvidas, subordinando a prestação da assistência aos interesses dos produtores de serviços e bens do “complexo industrial médico-terapêutico”; a terceira, a “fantasia” do poder e prestígio social das corporações da área da saúde, sobretudo, a médica, por acharem que controlam os mercados das super subespecialidades. Este conjunto de problemas provoca a existência de um mercado educacional cada vez mais privatizado, que abre escolas e oferece vagas sem levar em conta as reais necessidades de saúde da população.

A quarta tormenta é o impacto das chamadas doenças do mundo moderno, entre elas a violência social. Tormentas que, nestes 25 anos da criação do Sistema Único de Saúde (SUS), 22 anos do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e 20 anos da Estratégia Saúde da Família (ESF), por virtude das forças sociais e sanitárias do povo brasileiro, cedem lugar para as boas heranças. A maior delas o mundo já aplaudiu. Os sinos já não tocam mais com tanta frequência e velocidade. Comemoramos a vida de milhares de crianças que completam seus cinco anos de vida. As mulheres já revelam aos Agentes Comunitários de Saúde, espalhados pelo Brasil, seus primeiros sinais de gravidez. Têm suas consultas garantidas durante o pré-natal. No retorno do parto, lá estão eles desta vez para ajudar a cuidar dos dois: mãe e filho(a).

Os homens começam a olhar com outros olhos para as Unidades Básicas de Saúde. Já veem naquele lugar um canto para monitorar diariamente sua saúde: acompanhar diabetes, hipertensão e outros agravos. As 36 mil equipes da ESF, sobretudo os 300 mil ACS, juntos com as 23 mil equipes de saúde bucal, não param. Seguem deixando suas heranças quando articulam as ações nos governos locais, rumo à integralidade das políticas públicas e ampliam diálogos entre municípios, sem interferência político- partidário, em busca de instituir redes de atenção à saúde. Assim, estabelecem novos processos de comunicação com a autonomia e a liberdade de quem trabalha com estratégias promotoras da saúde. Assim ocorre quando compreendem a necessidade de reduzir as desigualdades regionais, lutando pelo aumento dos investimentos na atenção básica para, no mínimo, 30% do orçamento nacional; quando sentem necessidade de fortalecer as relações de vínculo e corresponsabilidade entre famílias visando a agregar valores aos processos de informação e comunicação. Esses movimentos são sinais luminosos de acolhimento, transparência e participação efetiva e afetiva na atenção e gestão da ABS no SUS. E mais, eles criam o futuro quando acreditam que é possível mudar a face dos governos no entorno dos valores da Atenção Básica em Saúde no tocante aos seus sentidos de justiça, igualdade e solidariedade. Essa é a maior herança. E deve ter testamento!

Publicado na Revista Ciência e Saúde Coletiva, Vol.19 – RJ

Alunos do Prof. Fabrício em 2014-01

Matriculados nas seguintes disciplinas:

1) Lutas, curso de Licenciatura em Educação Física, período noturno,

2) Metodologia da Pesquisa 1, Bacharelado em Educação Física, e,

3) Musculação,

Os planos das disciplinas, com respectivos conteúdos, programa e referências se encontram no porta-arquivos.

Até,

F.

Sobre barcos e remadores… e os outros.

Quando era mais novo, passei vários perrengues. Mas não é disso que quero falar. O foco (força e fé) será sobre relações humanas.
A parábola é super simples…
“A vida é como um rio. Todos estão em um barco (não necessariamente um skiff). Há aquele que remam no mesmo sentido e na mesma direção que nós.  Mas também há aqueles que remam no mesmo sentido, porém, em sentido oposto. Isto é normal, pois oposições são saudáveis e tendem a nos fortalecer. 
A partir das forças opostas treinamos mais, nos dedicamos mais e, quando vencemos,a vitória é valorizada. Assim, oposições saudáveis.
O grande problema, então, não são os que remam em sentido oposto. Mas, sim, os que estando dentro do barco, dedicam-se a furá-lo. Estes, sim, são os que merecem desprezo…”
Oposicionistas servem para aumentar nosso valor. Traidores servem para… nada.

Detectando estudantes com altas habilidades/superdotação: O buraco é mais embaixo.

Eu amo ler sumários de revistas… “acadêmico-científicas”

Passo várias horas dos meus dias apenas lendo títulos de artigos das mais variadas áreas de estudo e pesquisa, apenas pelo prazer de ver e saber o que está sendo produzido pela humanidade. Hoje, ao ler um título, minha atenção foi “despertada”:
‘ALGUNS MITOS MAIS COMUNS NO PROCESSO DE IDENTIFICAÇÃO DO ESTUDANTE COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO’
Não que eu saiba algo sobre o assunto, mas eu me lembro que, durante um dia de aula na quarta-série do ensino fundamental, um colega meu, o Filipe (lembro-me claramente que ele era loiro, com olhos azuis, super magrinho…. e muito sociável), “sumiu” das aulas. Então, como gostávamos muito dele, passamos a perguntar frequentemente para a professora Débora onde ele estava e o que aconteceu com ele. Um dia, cansada dessa encheção de saco, ela chamou a Dona Beth, que era orientadora pedagógica, para conversar conosco. 

Ao chegar na sala, com muitos dedos, ela disse que o Filipe tinha que sair da escola porque ele era “muito bom”. O engraçado é que nesta época, as pessoas estavam nesta escola porque ela era… muito boa. Rapidamente pensei: Se a escola é “muito boa”, e o cara é “muito bom” para a escola, ele é fera demais! Aí, mais para frente, na conversa, ela explicou com calma que ele era classificado como “gênio/super dotado”. Todos nós ficamos muito assustados, pois pensamos que era algo como um… Extra-terrestre (E.T.).

Depois do caso do Filipe, nunca mais me deparei com uma situação semelhante… e olha que já se foram…(isto foi em 1994), 20 anos.

De volta para o artigo. Ao ver um pouco dos materiais e métodos, percebi que o pesquisador inqueriu professores da “rede de ensino”. Assim, eles deveriam preencher um instrumento para cada um de seus alunos e o entregar ao pesquisador, que, então, fazia a análise das respostas e cálculo do escore…

Um print screen do documento segue abaixo:

genios

 

Sinceramente, não quero julgar o instrumento. Afinal, ele até deve funcionar.

Fiquei me perguntando se OS PROFESSORES conseguiriam interpretar as perguntas e afirmativas dispostas no mesmo.

Olha, palavras e expressões como: “generalizações“, “perspicácia“, “relações de causa e efeito“, “raciocínio analítico“, “abstrações“, “sutis“, “transferir aprendizagensDEFINITIVAMENTEnão são comuns no cotidiano dos cursos de formação de professores! Além disto, sabidamente já se reconhece que as pessoas que, atualmente, ingressam nos cursos superiores para formação de professores tem notas no ENEM (se é que o ENEM avalia algo bem, embora eu acredite que sim) muito abaixo do que se espera para alguém que deseje ensinar. Olhem que legal: “Dos cem cursos com as notas de corte mais baixas, 75 são de licenciatura em disciplinas como física e matemática.” (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0402201026.htm).

Isto tanto que é verdade que a presidência da república quer sancionar lei para “nota mínima” de ingresso, se a pessoa quiser cursar carreira na área das licenciaturas: http://blogdoenem.com.br/enem-2013-licenciatura-nota-minima/ e http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,licenciatura-pode-ter-nota-minima-no-enem,1017656,0.htm

Assim, como “identificar” crianças superdotadas se os docentes mal sabem ler e escrever? Como assim?
Eu acreditava que por volta de 1/3 dos universitários eram “analfabetos funcionais”, ou seja, o cara está lá na universidade/faculdade mas tem dificuldade de ler e interpretar o que lê (http://noticias.band.uol.com.br/educacao/noticia/?id=100000519730).

Mas o quadro é BEM PIOR! Recentemente, chegou-se ao valor de 50% de analfabetismo funcional no ensino superior!

Isto mesmo. Se você é universitário, você ou o cara que senta do teu lado é analfabeto funcional… hehe. Divirtam-se com o vídeo:

“Pesquisador conclui que mais de 50% dos universitários são analfabetos funcionais”
http://globotv.globo.com/rede-globo/dftv-2a-edicao/v/pesquisador-conclui-que-mais-de-50-dos-universitarios-sao-analfabetos-funcionais/2262537/

 

Gênios? Só os que “administram o Sistema”… a seu serviço.

Treinamento Intermitente de Alta Intensidade nos Componentes da Síndrome Metabólica

Caraca, hoje aconteceu uma das experiências acadêmicas mais loucas da minha vida! Dois pirados, o Daniel e o Luis, de Porto Alegre, e que sustentam o Evidência Saúde, convidaram-me para falar sobre “Treinamento Intermitente de Alta Intensidade nos Componentes da Síndrome Metabólica“.

AOS

Este convite decorreu de um artigo recentemente publicado na Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, e que eu já falei anteriormente.

Se não falei, o link é: 

http://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/RBAFS/article/view/3302/2741

Enfim. Dei uma palestra de 45 minutos sobre o assunto e, depois, rolaram algumas perguntas.

evidencia

Eu, particularmente, fiquei muito feliz com a oportunidade e com a atividade. Dei risada, aprendi e, certamente, ensinei coisas.

No fim, é isto que sobra, o processo ser melhor que o produto (mentira, bons produtos são muito importantes).

Para quem tiver interesse, a “palestra”, “apresentação”, “aula” está no SlideShare:

 

Seria possível tratar “doença” com exercício?

Recentemente, em outubro passado, uma dupla de pesquisadores publicou um artigo apresentando informações interessantes, que sintetizam achados de outros estudos prévios!

Para quem manja dos paranauê das estatísticas, dê uma olhada no OR entre Exercícios e Remédios.

af-remedio-saude2

No fim das contas, e literalmente fizeram várias contas, eles concluíram que praticamente não há diferença entre se tratar com remédios ou com exercícios para diversos agravos, tanto cardíacos, quanto metabólicos:

af-remedio-saude

 

Referência:

Naci H, Ioannidis JPa. Comparative effectiveness of exercise and drug interventions on mortality outcomes: metaepidemiological study. BMJ 2013;347:f5577 doi: 10.1136/bmj.f5577