A Educação física pode(ria) estar afastando crianças do esporte?

A todo momento recebo links de matérias diversas, e um dos meus alunos enviou um com um título bastante curioso “A educação física pode estar afastando seu filho do esporte”. Assusta, né?

O autor indica que a Educação Física – embora não deixe claro, parece-me ser a escolar (EFE) – precisa ser reformulada. Olha, entrei na área em 1998 e, desde antes disto, já existem diversos materiais que visam à transformação da EFE. Desde livros clássicos, como “Educação de corpo inteiro” e “Metodologia do ensino de Educação Física”, bastante conhecidos na área por quem não tem veia exclusivamente bioologicista e faz concursos para professor, até outros mais amplos, como “Transformação didático-pedagógica do esporte” e “Iniciação esportiva universal”. Além deles, também vale a pena destacar que existem diversas propostas estaduais para o ensino da EFE, como em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. São mais de 10 propostas estaduais já apresentadas, como mostram Tenório et al. (2012). Se os docentes, no cotidiano do chão da sala, fazem uso deste material, bem, é outra discussão. Mas que existem documentos excelentes para formação e atuação profissional não há dúvidas!

No texto, ele ainda diz, claramente, que “para uma criança aprender uma habilidade em nível interessante, são necessárias dez mil repetições de cada um dos movimentos nas mais diversas situações”… e questiona se o esporte poderia/deveria ser aprendido nas aulas de EFE. Por favor, alguém me diga o que é “nível interessante”? Eu sinceramente não tenho a menor ideia do que é isto e, no máximo, consigo compreender que possa haver padrões em estágios mais iniciais, elementares ou maduros, como classificariam Gallahue e Ozmun (2001). Especificamente quanto ao NÚMERO 10.000 (dez mil), os estudos vão no sentido de 10.000 HORAS DE PRÁTICA, teoria desenvolvida – ou pelo menos muito divulgada – pelo Ericsson, há mais de 20 anos! Curiosamente, e bem na área do movimento humano, esta regra tem sido quebrada em alguns contextos, evidenciando-se como falha. Pelo menos dois exemplos: estudo com velocistas dos Estados Unidos da América demonstra que, nem de longe, os melhores necessitam de 10 anos ou 10 mil horas de prática (Lombardo; Deaner, 2014) e o livro “A Genética do Esporte” tem um capítulo muito legal mostrando que, além de provas de velocidade, outras, como de saltos em altura, também parecem acabar com a tal regra dos 10 anos ou 10 mil horas… Se você ainda não está certo disto, sugiro que leia alguns dos textos no blog “The Science of Sport” sobre o assunto aqui e aqui.

Além disto, aponta-se que “(…)o modelo proposto e experimentado pelas crianças é competitivo e excludente, de forma que se prioriza a minoria dos alunos habilidosos em detrimento dos demais”, falando que há maior quantidade de jogos competitivos em detrimento a jogos cooperativos, o que gera experiência negativa entre os estudantes, e que irá afastá-lo da prática de atividade física. Isto é tão inverdade, mas tão inverdade, que diversos PRÊMIOS recebidos por professores de Educação Física Escolar por seus modelos de aulas e de planejamento. Alguns exemplos? O PRÊMIO EDUCADOR NOTA 10, da Fundação Victor Civita pode ajudar:

2007 = Esportes de Tacos e Raquetes

2009 = Movimento, saúde e qualidade de vida

2010 = Lutas nas aulas de educação física

2011 = Atividades Circenses

2013 = Saúde e lazer x competição

2015 = Rope Skipping

Tais evidências são a materialização de que a EFE já transcendeu a lógica esportivista há décadas. Diversos docentes avançaram e otimizaram as potencialidades a partir do movimento corporal. Achar que aulas de Educação Física Escolar AINDA abarcam apenas o esporte é ser raso e superficial demais. A informação está aí para ajudar na formação. Inclusive, há alguns anos, um texto à Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde deixava uma série de opções e indicações de conteúdos para além da educação física esportivizada ou higienista

Equivocadamente, o autor explicita que competição é “ruim”, ao dizer que “Alguns ainda têm aquele velho discurso de que a competição é importante para a vida”, e era mais dizendo que há modelos de esportistas que não devem ser seguidos na “competição da vida real”. Não é a competição que é ruim ou boa – o AGON está presente no cotidiano da humanidade de diferentes formas, e o esporte moderno apresenta diferentes formas do Agon. Inclusive, há evidência apontando que, por exemplo, medalhistas olímpicos vivem de 2 a 6 anos MAIOS do que a população de referência (Clarke et al. 2012), e isto não pode ser ignorado. Se há modelos de esportistas que não devem ser seguidos, ótimo! Que isto seja objeto de discussão no processo de ensino-aprendizagem. Por outro lado, não há modelos de esportistas que DEVEM ser seguidos? Estes também precisam receber atenção…

Uma das partes que tenho a tendência a concordar é que, como disciplina, a EFE “também é um dos responsáveis pelo crescimento do bullying escolar”, em decorrência da exclusão dos menos habilidosos, por exemplo. Oras, está amplamente disseminado que pessoas diferentes tem habilidades e competências distintas e, neste sentido, nem todo mundo apresentará o mesmo desempenho para tarefas distintas, como música, matemática ou educação física. Uma possibilidade de aprofundamento sobre este assunto diz respeito às inteligências múltiplas. Tem um livro bem interessante de um grande colega, que pode ilustrar tal cenário tão complexo.

E se, como o autor diz, a EFE “acontece na cabeça”, ora pois, é perfeitamente se aprender esporte na escola… exatamente como tempo-espaço para “vivenciar, entender, sentir e aí sim escolher qual atividade cada um gosta mais para num período fora da aula”! Inclusive, a escola pode ser mola propulsora para diversos comportamentos fora dela… Os estudos de tracking estão aí para isto, tanto na atividade física não esportiva, quanto no esporte!

Também concordo que “Aula de educação física não é momento de lazer nem de extravasar como alguns sugerem”. Porém, eu gostaria de mais cautela com afirmações deste tipo… Afinal, e o tal ditado do Confúcio: “ESCOLHA UM TRABALHO QUE VOCÊ AME E NÃO TERÁ DE TRABALHAR UM ÚNICO DIA DE SUA VIDA”? O que mais quero, é que as crianças AMEM e se DIVIRTAM fazendo aulas de Educação Física. Mas não só EFE, também quero que elas gostem de fazer aulas e se divirtam estudando Matemática, Ciências, Português, Inglês, Estudos Sociais e etc. A reforma necessária não é só do ensino. Profissionais precisam ser reformados, especialmente os que estão distantes da temática e querem falar sobre ela.

Exercício Intervalado pode ser melhor que Contínuo para biogênese mitocondrial

A leitura de artigos científicos não é uma prática frequente fora do meio acadêmico. Eu, particularmente, até acho que jovens no ensino médio deveriam ter contato com este tipo de produto, pois uma parcela elevada deles vai seguir no ensino formal, estudando em diferentes cursos nas mais variadas faculdades e universidades.

Assim, para ilustrar o contexto de leitura e das partes de um texto acadêmico publicado em uma “boa” revista, vou descrever o conteúdo de um artigo chamado “Sprint-interval but not continuous exercise increases PGC-1α protein content and p53 phosphorylation in nuclear fractions of human skeletal muscle”, que pode ter o resumo gratuitamente acessado clicando aqui, ou o artigo todo clicando aqui.

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Ele foi publicado na “Scientific Reports” (www.nature.com/srep/about), com tradução abrasileirada de “Relatórios Científicos”, uma revista do grupo da Nature (uma das 2 revistas científicas mais famosas do mundo) e tem fator de impacto de  5.228, ou seja, não tem um elevado impacto científico na produção internacional do conhecimento, mas não é de se desprezar… Por exemplo, na área da Educação Física, o periódico brasileiro com maior fator de impacto é a “Revista Brasileira de Medicina do Esporte” e ele não chega a 0,5. Na verdade, é de exatamente 0,18 (http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_serial&pid=1517-8692&lng=en&nrm=iso).

Primeiro, vamos voltar para o título. Ele pode ser traduzido como “Sprints intervalados mas não exercício contínuo aumenta o conteúdo proteico de PGC-1α e a fosforilação da p53 e, frações nucleares do músculo esquelético humano”. Ok, é possível que muita gente já desista do artigo só pelo título, mas olhe por outro lado, ele já apresenta um resultado – provavelmente o resultado mais importante do estudo. Qual? Que o Treinamento Intervalado de Alta Intensidade (HIIT), mas não o exercício contínuo aumenta duas coisas diferentes, uma relacionada à PGC-1α e outra relacionada à p53! Para fazer as “devidas ligações”, resta saber o que são ambas. Resumidamente, a PGC-1α é uma proteína que, quando ativada, solicita biogênese (crescimento) de mitocôndrias. Ou seja, mais conteúdo desta proteína pode aumentar a chance da comunicação para elevação das mitocôndrias, ou seja, o conteúdo proteico per se não garante aumento de capacidade mitocondrial – ele apenas “solicita” que haja este aumento. Se vc quiser saber mais sobre o PGC, veja na Wikipedia (https://en.wikipedia.org/wiki/PPARGC1A) ou em um conteúdo mais… acadêmico (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17108241).

Além da PGC-1α, o treino com sprints também aumentou mais a fosforilação da p53. Em geral, quando uma proteína está fosforilada – fosforilação é a adição de um grupo fosfato (PO4) – ela fica “ativa”, e funciona (mais ou melhor). A p53 é famosa por ser uma supressora de tumores (https://en.wikipedia.org/wiki/TP53), no entanto, no contexto deste estudo, destaca-se sua função TAMBÉM no perfil das mitocôndrias…

Tudo o que você leu até aqui é para explicar… o significado do título do artigo.

Bom, fora o título, também vale a pena destacar que o artigo foi publicado por autores que estão vinculados a instituições na Austrália (Granata, Oliveira e Bishop), Alemanha (Renner) e Canadá (John Little). Se você clicar no link vinculado ao sobrenome dos autores, irão aparecer suas publicações que estão cadastradas no PUBMED – a maior base de dados científicos da área biomédica. Se tiver curiosidade, os artigos que colaborei, e estão no pubmed, podem ser localizados clicando aqui.

Também vale destacar o tempo entre submissão e publicação (item 4). O artigo chegou na revista em AGOSTO de 2016 e em MARÇO de 2017 estava publicado. Este tempo é MUITO BOM, se não for EXCELENTE! Normalmente revistas (BEM) pagas que demoram este tempo curto. Normalmente, coisa entre 12 e 18 meses é considerada “normal”. Assustador, mas normal… afinal, a ciência é muito rápida, e esperar 2-3 anos até um artigo ser publicado é preocupante. Por isto que algumas revistas tem uma seção chamada de Ahead-of-Print, ou seja, artigos aprovados, mas que não foram publicados ainda. Às vezes, a fila de publicação é grande e, portanto, demora bastante tempo para a publicação…

O resumo tem 205 palavras, e não vou entrar nos seus detalhes, por que o artigo completo traz as informações do resumo… Ao contrário do que acontece aqui, as pessoas normalmente leem apenas o resumo. Nosso caso vai ser diferente. Não vou falar do resumo, e vocês só lerão sobre o texto completo. Se quiser ler o resumo, pega o artigo 😉

Quanto ao texto completo, vale destacar uma informação legal. O artigo NÃO ESTÁ no formato IMRD, ou seja, Introdução, Métodos, Resultados e Discussão, embora este seja o modo (quase que universalmente) mais aceito…. O artigo é apresentado em outro formato – INTRODUÇÃO, RESULTADOS, DISCUSSÃO, MÉTODOS e, então, referências. Assim, diferentemente do que alguns intelectualóides pensam, até grandes revistas dão mais valor à apresentação de introdução e resultados, deixando métodos para aqueles mais aficionados e interessados em pormenores (o que se constitui por 5% dos leitores – sendo otimista).

Na introdução, especificamente, os autores recuperam informações relacionadas à capacidade do exercício físico proporcionar biogênese mitocondrial, e que isto pode ajudar no aumento da capacidade de oxidar substratos. Além disto, destacam que o exercício pode contribuir na prevenção de doenças crônicas e indicam a recomendação de 150 min por semana. Aí, já partem para falar que o povo não tem tempo (claro que não… Netflix), e que formas mais tempo-eficientes poderiam ser úteis. Terminam o 1º parágrafo falando o que é SIT – Sprint Interval Training e que existe limitada informação sobre seu impacto em eventos moleculares que regulam a biogênese mitocondrial, especialmente em comparação ao exercício aeróbio contínuo.

O segundo parágrafo explica as variáveis dependentes do estudo, a PGC-1α e a p53. Quanto à primeira, indicam que ela modula a transcrição genética no núcleo da célula para biogênese mitocondrial. Apontam que há controvérsias quanto ao “timing” e magnitude do conteúdo proteico da PGC-1α no músculo esquelético humano. Para isto, ilustram apontando que há efeito do SIT após 3h de recuperação, mas que com exercício contínuo os resultados são conflitantes entre positivo após 3h e ausência de modificação. E esta controvérsia, para os autores, poderia ser devida ao baixo “n” amostral dos estudos prévios – com 4 a 6 pessoas – e em decorrência das diferenças considerando o nível de aptidão física dos participantes. Neste parágrafo, os autores ainda apresentam outra limitação dos estudos, a coleta de poucos pontos temporais, não proporcionando a possibilidade da análise temporal dos efeitos do exercício nesta variável.

O terceiro parágrafo é sobre a p53, indicada como fator chave para a biogênese mitocondrial derivada do exercício. Levantam a lacuna de não haver estudos investigando a p53 NUCLEAR, apesar de investigações prévias investigarem os efeitos do exercício contínuo na p53. Ah! Registram que não existem estudos sobre os efeitos do HIIT na p53.

O quarto parágrafo apresenta outra variável dependente, a PHF20, uma reguladora da p53, que já foi investigada com HIIT e exercício contínuo, sendo que 4 semanas de HIIT All-Out tende a aumenta-la, o que não acontece com o exercício contínuo. No entanto, segundo os autores, não são conhecidos os efeitos AGUDOS do exercício no conteúdo NUCLEAR da PHF20, nem se exercícios diferentes geram resultados distintos!

O último parágrafo da introdução apresenta a proposta do estudo, que é comparar os efeitos de uma sessão única de exercício contínuo e de SIT em proteínas regulatórias associadas com biogênese mitocondrial no núcleo e no citoplasma de músculo estriado esquelético humano. Eles hipotetizaram que o exercício aumentaria estes marcadores, e que o SIT aumentaria em maior magnitude que o exercício contínuo, com menos tempo e menos trabalho realizados.

*Preste atenção na estrutura da introdução: Os autores começam falando dos benefícios do exercício, dos problemas relacionados à falta de exercício, e das barreiras à prática – neste caso, uma barreira falaciosa, mas usual. Aí indicam o SIT como possibilidade de prática, e que há lacuna na literatura sobre eventos moleculares relacionados a ele. Os parágrafos seguintes estão a serviço da realização de uma mini-revisão da literatura considerando as variáveis dependentes, e suas relações com os tipos de exercícios propostos no estudo, sempre explicitando a lacuna científica e as limitações dos estudos prévios.

Aí, como eu disse antes, os autores vão para os RESULTADOS. Mas, didaticamente, eu vou apresentar primeiro os MATERIAIS e MÉTODOS, que eles chamam apenas de “MÉTODOS”, e que nunca devemos usar o termo “Metodologia” em um artigo original…

Foram recrutados 20 homens saudáveis de 18 a 35 anos não fumantes, livres de medicamentos e moderadamente treinados, sem estarem engajados em esportes cíclicos. Os autores falam dos aspectos éticos, mas não trazem dados sobre cálculo do tamanho amostral, procedimento muito frequente no cotidiano acadêmico. Ou seja, porque recrutaram 20, e não 10 ou 30 participantes? “- Porque eles quiseram” não é uma resposta adequada.

Foram realizados dois tipos de “testes”: um teste aeróbio incremental e um outro exercício (contínuo ou sprint intervalado) com biópsias musculares. Se você nunca viu uma biopsia muscular, clique aqui e veja. Os autores também descrevem os cuidados pré-testes, como 72h sem exercícios extenuantes e álcool, bem como nada de exercícios nas 24h prévias. Nas 3h antes dos testes, nada de cafeína ou comida.

Após as medidas iniciais, os participantes foram randomizados em dois grupos, a partir de ordenamento contrabalanceado reverso. Ou seja, dos dois melhores sujeitos quanto ao LIMIAR ANAERÓBIO, um ia para cada grupo, os sujeitos 3 e 4 iriam, em ordem inversa ao sorteado anteriormente, e assim sucessivamente. Eles foram alocados em dois grupos – CONTÍNUO (CE) e Sprint Intervalado (SIE). Estes indivíduos, depois, iriam participar de um outro estudo, que durou 4 semanas… Os dados dos sujeitos são apresentados na tabela abaixo.

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O teste aeróbio foi feito numa bicicleta Lode para determinar FC pico, Consumo de oxigênio pico, potência pico e limiar anaeróbio com método DMAX (que explicarei um dia). No entanto, os autores falam sobre duração dos estágios (4min), mas não da carga incrementada a cada estágio, reportando para artigo previamente publicado. Suponho que foram aumentos de 30W, considerando incrementos de 7,5W para minutos completados em um estágio incompleto. Além do consumo de O2, também mediram a concentração de lactato.

Para as biópsias musculares, coletas foram realizadas de manhã, e aos participantes foi oferecida alimentação padronizada com vistas a diminuir o efeito da ingesta alimentar na expressão gênica. Foram realizadas duas biópsias, uma antes, outra após a sessão de treino (CE ou SIE) e a última 3h após a sessão.

Quanto aos treinos CE e SIE – O exercício contínuo (CE) foi feito por 24 min de modo contínuo em uma bicicleta com intensidade equivalente a 90% do limiar anaeróbio. Considerando aquecimento, a sessão toda durou 32 mim, e estava dentro do que as diretrizes do ACSM indicam para um estímulo “aeróbio”. O SIE – exercício com sprints intermitentes foi feito após o mesmo aquecimento de 6 min, sendo cumpridos 4 sprints de 30s contra resistência de 7,5% da massa corporal do indivíduo o mais rápido que ele podia, e 4 min de recuperação (não dita se ativa ou passiva). A sessão toda durou 22 min, incluído aquecimento.

Foram realizadas diversas análises da musculatura estriada esquelética que foi retirada na biopsia feita. Analisaram-se frações do núcleo e do citosol da célula muscular, mas amostras de só 9 participantes de cada grupo foram suficientes para as análises. Com estas amostras, foram feitas as análises de proteínas (que, além da PGC-1α e a p53, explicarei as funções nos resultados). Além das proteínas, concentração e expressão de RNA também foram analisadas.

Na análise estatística, os dados, a princípio, são apresentados como média e desvio padrão. As comparações das variáveis de interesse, segundo protocolos, foram feitas com um teste t não-pareado. Também foi realizada análise de variância (ANOVA) de medidas repetidas quando as variáveis foram medidas ANTES e DEPOIS do exercício. Além do p-valor, também apresentam o tamanho do efeito, segundo o “d” de Cohen.

Agora vamos para os resultados! Parte deles é apresentada lá na tabela 1 mesmo… A sessão CE demandou maior produção de trabalho, embora maior produção de potência tenha sido observada na sessão de SIE, ambos os treinos aumentaram a concentração de lactato, mas o SIE aumentou 3x mais que o CE! No treino contínuo os caras ficaram perto de 80% da FC e no SIE a FC chegou a mais de 90% do máximo.

Nas análises musculares, a proteína p53 (lembra dela? Se não lembra volte à introdução) aumentou em relação ao repouso. E isto vale para a p53 do núcleo e do citosol.

A figura abaixo mostra os valores da p53 “sozinha” e em unidades arbitrárias, ou seja, a partir dos dados do western blot

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Mas existem dados da p53 com controles adicionais, e aí a informação é um pouco mais impactante, pois os seus valores são estatisticamente diferentes entre SIE e CE no momento imediatamente após o treino:

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Os autores também apresentam os valores da PH20, proteína que regula a p53, e ela aumenta nos dois modelos de exercício no momento pós-treino:

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Uma outra informação interessante é que a p38 MAPK também aumentou mais após o SIE que o contínuo:

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A p38 é uma proteína responsiva a estímulos estressantes e, quando fosforilada (ativada), está relacionada à apoptose celular. Ao mesmo tempo, favorece para aumento de fatores transcricionais que contribuem para a miogênese, ou seja, para o desenvolvimento das células musculares.

Os dois tipos de exercício aumentaram a quantidade de acetil-Coa carboxilase, sem diferenças entre eles.

Quanto à expressão gênica, não houve efeito na p53, mas sim na PGC-1α, sem diferenças entre tipos de treino. No entanto, para conteúdo proteico de PGC-1α, houve aumento superior no SIE em comparação ao CE tanto no núcleo (já imediatamente após), quanto no citosol (3h após o treino):

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Nesta parte de resultados tem mais algumas informações que valem a pena ser apreendidas, especialmente para pessoas mais ligadas à parte da bioquímica aplicada ao exercício. Como mensagem geral DOS RESULTADOS, indica-se que o SIT gerou maior estresse metabólico, e isto fez com que o RNA e proteínas relacionadas à biogênese das mitocôndrias “girassem mais”!

Após os resultados é apresentada a DISCUSSÃO dos dados.

São 12 parágrafos de discussão tentando explicar os achados do estudo, e suas principais implicações. Em geral, um jovem estudante está cansado da leitura quando chega a este ponto (Discussão). No entanto, vale a dica: A discussão é (ou deveria ser) a parte mais legal do artigo!

Antes dela iniciar, é importante salientar que, NESTE ESTUDO, os efeitos relatados acima são decorrentes de UMA ÚNICA sessão de treino. Ou seja, são agudos. No entanto, também é importante destacar que os autores TAMBÉM publicaram os dados de 4 semanas de treino, com efeitos crônicos, que podem ser acessados nesse artigo: “Training intensity modulates changes in PGC-1α and p53 protein content and mitochondrial respiration, but not markers of mitochondrial content in human skeletal muscle”.

 

Vamos para a discussão?

Seu início é mais ou menos assim: “Pela primeira vez um estudo relata que somente SIE, e não CE, foi associado com aumento na p53 fosforilada após o exercício em fração nuclear de musculo esquelético humano”. Os autores relativizam este achado reforçando a ideia que o tempo e curso do acumulo da p53 e da PGC-1α nuclear pode ser diferente no SIE e no CE.

Mas também indicam que o SIE pode ser um estímulo mais potente para induzir alguns eventos moleculares associados com a biogênese mitocondrial.

Oportunidade de Bolsa na ESEF/UFPel

Amanhã (21 de março, segunda feira) será publicado o edital para seleção de bolsistas para o projeto de extensão “REMAR PARA O FUTURO”. Ele foi criado em 2015 e, no mesmo ano, além de ter conseguido apoio da Prefeitura Municipal de Pelotas, também foi contemplado no edital PROEXT/SeSU/MEC.

Alunos da ESEF/UFPel que atendam aos requisitos para inscrição podem se candidatar. Mais informações no site: https://goo.gl/wzy9Xd

Se você gosta de trabalhar com jovens atletas dedicados, empenhados e focados no objetivo de fazerem a diferença no esporte estadual e nacional, aqui pode ser seu lugar! Você pode aprender a estruturar processos de treinamento esportivo, preparação física e, inclusive, adquirir experiência em aplicar sessões de condicionamento. Além disto, a vivência com uso de barcos e com o remoergômetro, tão usado nos dias de hoje nos melhores centros de condicionamento físico de atletas e não-atletas, pode fazer você ser um profissional diferenciado!

Atente-se às datas. Mas só se candidate se você acha que pode realizar a diferença na vida de jovens esportistas e julga que tem um excelente potencial para crescer na área de educação física!

Se você não tem o perfil acima, mas conhece alguém da EEF/UFPel que pode se encaixar nesta ideia, por favor, compartilhe a informação.

Proext-Remar

GEPETED – Seleção de novos membros

GEPETED-VAGAS PARA NOVOS MEMBROS.2015.01

O Grupo de Estudos e Pesquisas em Treinamento Esportivo e Desempenho Físico (GEPETED) da ESEF/UFPel, devidamente registrado no diretório de grupos do CNPq (http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/1456223823424170) abre processo seletivo para preenchimento de até 5 vagas para alunos de graduação NÃO FORMANDOS em 2015.

Os pré-requisitos para inscrições são:

1) Ter livre TODAS as quartas-feiras, das 12h às 14h para reuniões ordinárias.

2) Apresentar comportamento pró-ativo

3) Exibir interesse de pesquisa em temas vinculados à Educação Física, Atividade Física, Exercício Físico, Aptidão Física, Desempenho Esportivo, Esportes.

4) Ser auto-motivado, responsável e maduro para assumir e cumprir compromissos acadêmicos.

5) Ter tolerância para trabalhos em grupo.

Nós oportunizamos: Experiência no ensino, pesquisa e extensão; Capacitação técnica e científica; Iniciação à pesquisa. Nosso grupo de pesquisa tem colaborado com diferentes iniciativas na cidade de Pelotas, como, por exemplo:

Avaliações físicas e esportivas:

http://redeesportiva.com.br/content/avaliacoes-fisicas-na-baixada/

http://ecpelotas.com.br/2015/01/dias-de-avaliacoes-fisicas/

Organização e aplicação de treinamento físico:

http://diariodamanhapelotas.com.br/site/taekwondo-pelotas-garante-atletas-na-selecao-gaucha/

Participação em diferentes eventos científicos:

https://instagram.com/p/3uTnS9THTZ/?taken-by=fabricioboscolo

Publicação de artigos, livros, capítulos de livros, bem como organização de atividades acadêmicas!

Para se inscrever, candidatos devem ser alunos de graduação da UFPel, e entregarem:

1) Currículo Lattes atualizado, e com e-mail.

2) Carta de interesse com memorial descritivo.

até o dia 24 de junho de 2015 para um dos seguintes membros do grupo:

Prof. Dr. Fabrício Boscolo Del Vecchio, Profa. Dra. Bianca Miarka, Profa. Ms. Leony Morgana Galliano, Prof. Ms. Victor Silveira Coswig, Prof. Ms. Yuri Salenave Ribeiro, Prof. Ms. Léo Dutra Cabistany, Profa. Ms. Martaliz Dimare, Prof. Esp. Marcelo dos Santos Vaz, Prof. Esp. Rossano Diniz, Mariana Lopes Alvariza, Camila Borges Muller,
Augusto Rico, Charles Bartel, Rodrigo Guimarães, Andressa Formalioni, Bianka Zanini (Fac. Nutrição) e Cássia Goulart (Fac. Nutrição).

Frequência cardíaca – Prescrição de exercícios físicos

Hoje participei do I Simpósio de Fisiologia da Região Sul como palestrante. Explicito que foi como palestrante pois é uma situação bem rara de acontecer: chamarem-me para palestrar sobre algum assunto 😉

fisiologia-Simpósio regiao sul

Provavelmente seja porque, de fato, tenho pouco a contribuir. E fico feliz com isto, pois indica que há mais gente, e melhor que eu, por aí trabalhando bastante. De qualquer sorte, agradeço o prof. dr. Rafael Orcy pelo convite.

Não sou “fisiologista”, nem especialista em fisiologia do exercício, mas confesso que gosto de ler e aprender sobre a temática. Especialmente nos períodos em que estou engajado em algum tipo de treinamento, como agora, no remo.

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O tema da palestra foi “Frequência cardíaca”. Embora seja um tema meio batido já, sistematicamente vejo pessoas (inclusive eu) reproduzindo alguns conceitos errados e, portanto, sempre é bom voltar à literatura e aperfeiçoar os agires e fazeres. Ultimamente tenho lido e estudado sobre frequência cardíaca e, especificamente, variabilidade da frequência cardíaca (VFC). Esta, por sua vez, é uma medida mais…. precisa e detalhada, que pode expressar a partir de diferentes variáveis como o sistema autonômico pode ser impactado por sessões e por programas de exercícios físicos.

Curiosamente, o penúltimo artigo que nosso grupo publicou, eu e o discente Jonathan Barth, foi sobre os efeitos da RESPIRAÇÃO na VFC na Revista Iberoamericana de Arritmologia (www.ria-online.com), com o título “Efeitos da frequência ventilatória sobre os índices da variabilidade da frequência cardíaca” (acesso gratuito em: http://www.ria-online.com/webapp/journal/show/id/RIA10245/).

O último, que saiu ontem, está relacionado com exercício físico 😉

Com o Prof. Ms. Luan Picanço e com o Acad. Marcelo Vaz, verificamos os impactos de diferentes amplitudes de treinamento intermitente de alta intensidade na VFC. Empregamos exercícios do remo, em barco na água. O artigo acaba de ser publicado na JSCR, uma revista bem legal de ser acessada para quem curte exercícios físicos de modo geral!

A referência é:

Effects of Different Training Amplitudes on Heart Rate and Heart Rate Variability in Young Rowers
Vaz, Marcelo S.; Picanço, Luan M.; Del Vecchio, Fabrício B.
Journal of Strength & Conditioning Research. 28(10):2967-2972, October 2014.

E o artigo pode ser acessado no link: http://journals.lww.com/nsca-jscr/Fulltext/2014/10000/Effects_of_Different_Training_Amplitudes_on_Heart.34.aspx

Por fim, gostaria dizer que foi um grande prazer ter participado do evento de hoje, e espero ter contribuído com a formação de graduandos super interessados na área da fisiologia do exercício. Para quem tiver interesse, a palestra pode ser vista no link abaixo:

Hidratação e Reidratação no Esporte: água de coco e leite

Postexercise rehydration: potassium-rich drinks versus water and a sports drink
Alexandra Pérez-Idárraga, Luis Fernando Aragón-Vargas
Applied Physiology, Nutrition, and Metabolism, 10.1139/apnm-2013-0434
http://www.nrcresearchpress.com/doi/abs/10.1139/apnm-2013-0434#.U8LkwvldXT8

Fluid retention, thirst quenching, tolerance, and palatability of different drinks were assessed. On 4 different days, 12 healthy, physically active volunteers (24.4 ± 3.2 years old, 74.75 ± 11.36 kg body mass (mean ± S.D)), were dehydrated to 2.10% ± 0.24% body mass by exercising in an environmental chamber (32.0 ± 0.4 °C dry bulb, 53.8 ± 5.2% relative humidity). Each day they drank 1 of 4 beverages in random order: fresh coconut water (FCW), bottled water (W), sports drink (SD), or potassium-rich drink (NEW); volume was 120% of weight loss. Urine was collected and perceptions self-reported for 3 h. Urine output was higher (p < 0.05) for W (894 ± 178 mL) than SD (605 ± 297 mL) and NEW (599 ± 254 mL). FCW (686 ± 250 mL) was not different from any other drink (p > 0.05). Fluid retention was higher for SD than W (68.2% ± 13.0% vs. 51.3% ± 12.6%, p = 0.013), but not for FCW and NEW (62.5% ± 15.4% and 65.9% ± 15.4%, p > 0.05). All beverages were palatable and well tolerated; none maintained a positive net fluid balance after 3 h, but deficit was greater in W versus SD (p = 0.001). FCW scored higher for sweetness (p = 0.03). Thirst increased immediately after exercise but returned to baseline after drinking a small volume (p < 0.0005). In conclusion, additional potassium in FCW and NEW did not result in additional rehydration benefits over those already found in a conventional sports drink with sodium.

 –> Sacana esta conclusão, né? Deveria ser o contrário: Bebidas esportivas não são melhores que água de coco natural…

Effect of milk consumption on rehydration in youth following exercise in the heat
Kimberly A. Volterman, Joyce Obeid, Boguslaw Wilk PhD, Brian W. Timmons
Applied Physiology, Nutrition, and Metabolism, 10.1139/apnm-2014-0047
http://www.nrcresearchpress.com/doi/abs/10.1139/apnm-2014-0047#.U8Lk2vldXT8

Low-fat milk is thought to be an effective post-exercise rehydration beverage in adults; however, little is known about milk’s rehydration ability in children after exercising in the heat. This study tested the hypothesis that due to its electrolyte and protein content, skim milk (SM) would be more effective than both water (W) and a carbohydrate/electrolyte solution (CES) in replacing body fluid losses in children following exercise in the heat. Thirty-eight (19 females) heat-acclimated pre- to early-pubertal (PEP, 7-11yrs) and mid- to late-pubertal (MLP, 14-17yrs) children performed three sessions in 34.5°C, 47.3% relative humidity consisting of 2 × 20-min cycling bouts at 60% VO2peak followed by consumption of either W, CES, or SM. Each beverage was consumed immediately after exercise in a volume equal to 100% of their body mass loss during exercise. Urine samples were collected before, during, and after exercise, as well as the 2h period following beverage consumption. On average, children dehydrated 1.3 ± 0.4%. Children ingested 0.40 ± 0.11 L (PEP) and 0.74 ± 0.20 L (MLP) of fluid. The fraction of the ingested beverage retained at 2h of recovery was greater with SM (74 ± 18%) than W (47 ± 26%) and CES (59 ± 20%, p<0.001 for both); and greater in CES than W (p<0.001). All participants were in a hypohydrated state after 2h of recovery, following the pattern SM<CES<W. In both PEP and MLP children, SM is more effective than W and CES at replacing fluid losses occurred during exercise in the heat.

Remoergômetro CONCEPT2 – Vale a pena importar?

Muita gente sabe que eu tenho praticado remo. Comecei minhas primeiras aulas em setembro do ano passado e, apesar de não conseguir me dedicar como desejo, treino até que bastante. Numa semana “boa”, são 5 dias, com 50 a 55 minutos por dia.

Ah, é importante dizer que a intensidade das sessões não é baixa. Ou seja, não “passeio” de barco. Vivo postando alguns gráficos de frequência cardíaca no Facebook, para quem tem interesse em acompanhar. Abaixo dá para ver que a prática é gostosa.

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Mas, além da prática, as avaliações são mais legais ainda:

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Apesar de o local de prática ser excelente, no Academia de Remo Tissot, às margens do canal São Gonçalo em Pelotas, RS, o clima aqui não é dos melhores. Além de a cidade ser muito úmida o ano todo (85-95% fácil), o inverno judia de verdade. Aí fica difícil ir até o clube para remar, confesso. 
Ademais, as condições náuticas são muito variáveis, ou seja, quase sempre dá para remar, mas dificilmente há dois dias com as mesmas condições. Então, como avaliar e ser avaliado em momentos distintos com condições semelhantes? A Concept (http://www.concept2.com/) domina o mercado, as confederações internacionais e o meio acadêmico. Assim, em âmbito internacional, os valores de referência relacionados ao desempenho aeróbio e anaeróbio de atletas de diferentes níveis são padronizados, tabulados e apresentados a partir de testes conduzidos com este equipamento (Rice, Osborne; 2013). Ou seja, a aquisição de qualquer outro remoergômetro, além de inviabilizar o processo de investigação e publicação científica, diminuiria substancialmente a qualidade dos agires e fazeres, dado que o Concept2 é o equipamento padrão-ouro e referência para os diferentes procedimentos acadêmicos.

O Concept2 é o único equipamento que simula as demandas reais do remo dentro da água (Rice, Osborne; 2013, p.354), e que usa sistema de resistência ao fluxo de ar em uma roda eólica e sistema de dragagem que pode ser manipulado em tempo real. Nós, recentemente, publicamos um artigo sobre remo, com atividade dentro da água (Picanço, dos Santos Vaz, Del Vecchio, 2014), mas confesso que o trabalho é bem, mas BEM difícil mesmo. Sem dúvidas, trabalhos indoor são infinitamente mais fáceis. É quase comparar pesquisa com rato e com humano 😉

Tá, e quanto custa um troço desse? Um orçamento recente, de um modelo intermediário (Modelo D, com o monitor PM3), dos únicos representantes nacionais apresenta um valor de R$7700,00. 

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Na Amazon, porém, Está na casa dos US$ 1050. Aí, eu fui para Orlando para fazer um intercâmbio na University of Central Florida e participar do 60th Annual Meeting of ACSM e resolvi trazer um. Como ficou a conta:

Preço no site da Amazon US$ 1050 ou R$ 2425
Frete US$ 45 ou R$103
Oversize para despaço internacional US$ 100 ou R$ 230
Taxa de cota – Receita Federal R$ 1118
Gasolina para buscar no aeroporto R$ 150
Pedágios R$ 37
Total R$ 4063.

Compensa? Cada um que faça seus cálculos…

Só digo o seguinte, a caixa é leve (30kg), mas grande. A dor de cabeça foi maior.

Referências

Picanço, LM, dos Santos Vaz, M, Del Vecchio, FB. Effects of different training amplitudes on heart rate and heart rate variability in young rowers. Journal of Strength and Conditioning Research, 2014. Ahead-of-print.

Rice AJ; Osborne MA. Rowers. In: Australian Institute of Sport. Physiological tests for elite athletes. 2nd ed. Champaign: Human Kinetics. 2013, p. 353-369.