Remoergômetro CONCEPT2 – Vale a pena importar?

Muita gente sabe que eu tenho praticado remo. Comecei minhas primeiras aulas em setembro do ano passado e, apesar de não conseguir me dedicar como desejo, treino até que bastante. Numa semana “boa”, são 5 dias, com 50 a 55 minutos por dia.

Ah, é importante dizer que a intensidade das sessões não é baixa. Ou seja, não “passeio” de barco. Vivo postando alguns gráficos de frequência cardíaca no Facebook, para quem tem interesse em acompanhar. Abaixo dá para ver que a prática é gostosa.

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Mas, além da prática, as avaliações são mais legais ainda:

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Apesar de o local de prática ser excelente, no Academia de Remo Tissot, às margens do canal São Gonçalo em Pelotas, RS, o clima aqui não é dos melhores. Além de a cidade ser muito úmida o ano todo (85-95% fácil), o inverno judia de verdade. Aí fica difícil ir até o clube para remar, confesso. 
Ademais, as condições náuticas são muito variáveis, ou seja, quase sempre dá para remar, mas dificilmente há dois dias com as mesmas condições. Então, como avaliar e ser avaliado em momentos distintos com condições semelhantes? A Concept (http://www.concept2.com/) domina o mercado, as confederações internacionais e o meio acadêmico. Assim, em âmbito internacional, os valores de referência relacionados ao desempenho aeróbio e anaeróbio de atletas de diferentes níveis são padronizados, tabulados e apresentados a partir de testes conduzidos com este equipamento (Rice, Osborne; 2013). Ou seja, a aquisição de qualquer outro remoergômetro, além de inviabilizar o processo de investigação e publicação científica, diminuiria substancialmente a qualidade dos agires e fazeres, dado que o Concept2 é o equipamento padrão-ouro e referência para os diferentes procedimentos acadêmicos.

O Concept2 é o único equipamento que simula as demandas reais do remo dentro da água (Rice, Osborne; 2013, p.354), e que usa sistema de resistência ao fluxo de ar em uma roda eólica e sistema de dragagem que pode ser manipulado em tempo real. Nós, recentemente, publicamos um artigo sobre remo, com atividade dentro da água (Picanço, dos Santos Vaz, Del Vecchio, 2014), mas confesso que o trabalho é bem, mas BEM difícil mesmo. Sem dúvidas, trabalhos indoor são infinitamente mais fáceis. É quase comparar pesquisa com rato e com humano 😉

Tá, e quanto custa um troço desse? Um orçamento recente, de um modelo intermediário (Modelo D, com o monitor PM3), dos únicos representantes nacionais apresenta um valor de R$7700,00. 

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Na Amazon, porém, Está na casa dos US$ 1050. Aí, eu fui para Orlando para fazer um intercâmbio na University of Central Florida e participar do 60th Annual Meeting of ACSM e resolvi trazer um. Como ficou a conta:

Preço no site da Amazon US$ 1050 ou R$ 2425
Frete US$ 45 ou R$103
Oversize para despaço internacional US$ 100 ou R$ 230
Taxa de cota – Receita Federal R$ 1118
Gasolina para buscar no aeroporto R$ 150
Pedágios R$ 37
Total R$ 4063.

Compensa? Cada um que faça seus cálculos…

Só digo o seguinte, a caixa é leve (30kg), mas grande. A dor de cabeça foi maior.

Referências

Picanço, LM, dos Santos Vaz, M, Del Vecchio, FB. Effects of different training amplitudes on heart rate and heart rate variability in young rowers. Journal of Strength and Conditioning Research, 2014. Ahead-of-print.

Rice AJ; Osborne MA. Rowers. In: Australian Institute of Sport. Physiological tests for elite athletes. 2nd ed. Champaign: Human Kinetics. 2013, p. 353-369.

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Esporte é Saúde (futebol) – Da série…

Soccer Improves Fitness and Attenuates Cardiovascular Risk Factors in Hypertensive Men
KRUSTRUP, P.1,2; RANDERS, M. B.2; ANDERSEN, L. J.2,3; JACKMAN, S. R.1; BANGSBO, J.2; HANSEN, P. R.3
Medicine & Science in Sports & Exercise: March 2013 – Volume 45 – Issue 3 – p 553–561
http://journals.lww.com/acsm-msse/Abstract/2013/03000/Soccer_Improves_Fitness_and_Attenuates.21.aspx

Introduction: The present study investigated the fitness and health effects of medium-term soccer training for untrained hypertensive middle-age men.

Methods: Thirty-three untrained males (31–54 yr) with mild-to-moderate hypertension were randomized 2:1 to a soccer training group (STG, two 1-h sessions per week, n = 22, 68% on medication) and a doctor advice group receiving traditional physician-guided recommendations on cardiovascular risk factor modification (DAG, n = 11, 73% on medication). Two-way repeated-measures ANOVA time–group statistics was applied.

Results: During soccer training, average HR was 155 ± 9 bpm or 85% ± 7% HRmax. In STG, systolic and diastolic blood pressures decreased (P < 0.01) over 6 months from 151 ± 10 to 139 ± 10 mm Hg and from 92 ± 7 to 84 ± 6 mm Hg, respectively, with smaller (P < 0.05) decreases in DAG (from 153 ± 8 to 145 ± 8 mm Hg and from 96 ± 6 to 93 ± 6 mm Hg, respectively). In STG, VO2max increased (P < 0.01) from 32.6 ± 4.9 to 35.4 ± 6.6 mL·min−1·kg−1 and relative VO2 during cycling at 100 W was lowered (P < 0.05) from 55% ± 7% to 50% ± 8% VO2max over 6 months, with no changes in DAG. In STG, resting HR was lowered by 8 ± 11 bpm (P < 0.05), and the augmentation index (a measure of arterial stiffness) was lowered (P < 0.05) by 7.3 ± 14.0 over 6 months, with no change in DAG.

Conclusions: Six months of soccer training improved aerobic fitness, reduced blood pressure, and resulted in an array of other favorable effects on cardiovascular risk profile for untrained middle-age hypertensive men. Soccer training, therefore, may be a better nonpharmacological treatment for hypertensive men than traditional physician-guided advice.

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