Detectando estudantes com altas habilidades/superdotação: O buraco é mais embaixo.

Eu amo ler sumários de revistas… “acadêmico-científicas”

Passo várias horas dos meus dias apenas lendo títulos de artigos das mais variadas áreas de estudo e pesquisa, apenas pelo prazer de ver e saber o que está sendo produzido pela humanidade. Hoje, ao ler um título, minha atenção foi “despertada”:
‘ALGUNS MITOS MAIS COMUNS NO PROCESSO DE IDENTIFICAÇÃO DO ESTUDANTE COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO’
Não que eu saiba algo sobre o assunto, mas eu me lembro que, durante um dia de aula na quarta-série do ensino fundamental, um colega meu, o Filipe (lembro-me claramente que ele era loiro, com olhos azuis, super magrinho…. e muito sociável), “sumiu” das aulas. Então, como gostávamos muito dele, passamos a perguntar frequentemente para a professora Débora onde ele estava e o que aconteceu com ele. Um dia, cansada dessa encheção de saco, ela chamou a Dona Beth, que era orientadora pedagógica, para conversar conosco. 

Ao chegar na sala, com muitos dedos, ela disse que o Filipe tinha que sair da escola porque ele era “muito bom”. O engraçado é que nesta época, as pessoas estavam nesta escola porque ela era… muito boa. Rapidamente pensei: Se a escola é “muito boa”, e o cara é “muito bom” para a escola, ele é fera demais! Aí, mais para frente, na conversa, ela explicou com calma que ele era classificado como “gênio/super dotado”. Todos nós ficamos muito assustados, pois pensamos que era algo como um… Extra-terrestre (E.T.).

Depois do caso do Filipe, nunca mais me deparei com uma situação semelhante… e olha que já se foram…(isto foi em 1994), 20 anos.

De volta para o artigo. Ao ver um pouco dos materiais e métodos, percebi que o pesquisador inqueriu professores da “rede de ensino”. Assim, eles deveriam preencher um instrumento para cada um de seus alunos e o entregar ao pesquisador, que, então, fazia a análise das respostas e cálculo do escore…

Um print screen do documento segue abaixo:

genios

 

Sinceramente, não quero julgar o instrumento. Afinal, ele até deve funcionar.

Fiquei me perguntando se OS PROFESSORES conseguiriam interpretar as perguntas e afirmativas dispostas no mesmo.

Olha, palavras e expressões como: “generalizações“, “perspicácia“, “relações de causa e efeito“, “raciocínio analítico“, “abstrações“, “sutis“, “transferir aprendizagensDEFINITIVAMENTEnão são comuns no cotidiano dos cursos de formação de professores! Além disto, sabidamente já se reconhece que as pessoas que, atualmente, ingressam nos cursos superiores para formação de professores tem notas no ENEM (se é que o ENEM avalia algo bem, embora eu acredite que sim) muito abaixo do que se espera para alguém que deseje ensinar. Olhem que legal: “Dos cem cursos com as notas de corte mais baixas, 75 são de licenciatura em disciplinas como física e matemática.” (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0402201026.htm).

Isto tanto que é verdade que a presidência da república quer sancionar lei para “nota mínima” de ingresso, se a pessoa quiser cursar carreira na área das licenciaturas: http://blogdoenem.com.br/enem-2013-licenciatura-nota-minima/ e http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,licenciatura-pode-ter-nota-minima-no-enem,1017656,0.htm

Assim, como “identificar” crianças superdotadas se os docentes mal sabem ler e escrever? Como assim?
Eu acreditava que por volta de 1/3 dos universitários eram “analfabetos funcionais”, ou seja, o cara está lá na universidade/faculdade mas tem dificuldade de ler e interpretar o que lê (http://noticias.band.uol.com.br/educacao/noticia/?id=100000519730).

Mas o quadro é BEM PIOR! Recentemente, chegou-se ao valor de 50% de analfabetismo funcional no ensino superior!

Isto mesmo. Se você é universitário, você ou o cara que senta do teu lado é analfabeto funcional… hehe. Divirtam-se com o vídeo:

“Pesquisador conclui que mais de 50% dos universitários são analfabetos funcionais”
http://globotv.globo.com/rede-globo/dftv-2a-edicao/v/pesquisador-conclui-que-mais-de-50-dos-universitarios-sao-analfabetos-funcionais/2262537/

 

Gênios? Só os que “administram o Sistema”… a seu serviço.

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