Brazilian jiu-jitsu: respostas orgânicas a lutas sucessivas

Diferentes estudos têm avaliado o impacto da luta ou do treino de uma modalidade de luta no organismo dos atletas. Isto já foi observado no judô, no karatê, no boxe, luta olímpica, boxe, muay-thai e até kick-boxing. Porém, apenas poucos estudos investigaram como o organismo do lutador responde a combates sucessivos.

É isto mesmo, a maioria dos estudos tem como foco apenas uma única luta. Por outro lado, poucas modalidades (MMA e Boxe, por exemplo), proporcionam a possibilidade de o lutador realizar um único combate no evento que participa.

Neste sentido, buscamos entender o que acontece com o organismo de um lutador de Brazilian jiu-jitsu frente a dois combates sucessivos. Poxa, mas só dois? Na pior das hipóteses é o dobro do que normalmente se faz e, muitas vezes, está bem próximo do que acontece em campeonatos de menor nível competitivo. Além disto, muitos de nós sabemos como é complicado recrutar lutadores para “estudos científicos”. Agora, imagine que ele tenha que cumprir dieta restrita prévia, lutar “de verdade”, fazer vários testes físicos e “tirar” sangue diversas vezes ao longo de todo este processo!

Pois então, os resultados deste estudo estão no artigo intitulado “Respostas bioquímicas, hormonais e hematológicas a lutas de jiu-jitsu brasileiro”, recentemente publicado na Revista Brasileira de Ciência e Movimento, e que pode ser obtido no link: 

http://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/view/19/2589

 

Dentre os parâmetros analisados se encontram: variáveis hematológicas (glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas), diversas enzimas (AST, ALT, Lipase, CK-MB, LDH e CK), marcadores metabólicos (lactato, albumina, creatinina e proteínas totais), diversos substratos bioquímicos e eletrólitos (sódio, potássio, magnésio, fósforo, cálcio, ferro, uréia, colesterol e glicose), além dos hormônios testosterona e cortisol.

O mais interessante do estudo pode ser observado na figura 4, abaixo:

bjj-victor

 

Ela demonstra que, apesar do nível inicial razoavelmente heterogêneo entre os lutadores (principalmente do denominado perdedor 1), para todos os atletas envolvidos as curvas do cortisol são semelhantes: entre perdedores ele começa a subir do momento pré-luta 01 até após a segunda luta, passando pela primeira derrota inclusive. Já entre vencedores, o cortisol se inicia um pouco alto e, já após a primeira vitória ele fica com concentração sanguínea inferior ao momento pré-luta, e continua neste sentido após a segunda vitória.

Quanto à aplicação prática deste achado, observa-se que: “respostas do cortisol se mostraram diferenciadas de acordo com o êxito nos combates, fato que pode estar relacionado ao estado emocional dos atletas e, também, ao histórico competitivo. Desta forma, sugere-se que durante os treinos os atletas sejam expostos a situações que aumentem o estresse psicológico, como embates contra atletas de outras equipes, eventos de menor nível competitivo e treinos nos quais apenas dois atletas lutam enquanto os companheiros assistem ao combate e os estimulem.” (COSWIG; NEVES; DEL VECCHIO, 2013, p. 29).

Ou seja, devemos parar com aquele papo de que treino é treino e jogo é jogo. O treino, cada vez mais, deve se aproximar das demandas dos combates competitivos. Seja a partir da estrutura temporal, seja a partir das demandas orgânicas exigidas!

COSWIG VS, NEVES AHS, DEL VECCHIO FB. Respostas bioquímicas, hormonais e hematológicas a lutas de jiu-jitsu brasileiro. R. bras. Ci. e Mov 2013;21(2): 19-30.

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