Alongamento/Flexibilidade – Assim caminha a ciência

Há algum tempo, no final de semana, uma grande (em tamanho) reportagem da Revista Veja “condenava” a prática de alongamentos na academia, com diferentes objetivos. Aprendi, desde cedo na faculdade, que uma das situações mais condenáveis na ciência é a Generalização. Não é porque algo não é bom para determinada situação, que não é bom nunca.

Com o alongamento não é diferente… Embora seja controverso, alguns estudos têm mostrado que realizar estímulos de estiramento muscular (alongamento como método, flexibilidade como capacidade física) pode ser prejudicial para o desenvolvimento de força e potência. Como eu disse: é controverso. Isto quer dizer que nem todos os estudos observaram tais prejuízos e, dentre os que observaram, constataram prejuízos baixos (0,5 cm, por exemplo). Além disto, como demonstramos recentemente, não são todos os meios (estático, FNP, dinâmico, etc) de alongamento (método) que atuam sobre a flexibilidade (capacidade física relacionada à saúde e ao desempenho) que prejudicam a expressão da força e da potência.

Além disto, vale dizer que estes estudos apontaram, quando observados, prejuízos decorrentes de estímulos AGUDOS (imediatos e de curta duração), e não CRÔNICOS (após realização de alongamentos depois de algumas semanas, por exemplo). Inclusive, pode ser que o efeito crônico seja até benéfico.

Bom, mas trocando de tema, ainda no mesmo assunto, olhem que engraçado. Um dos melhores periódicos da área acaba de soltar três artigos ahead-of-print (ainda nem publicados), sendo que dois deles versam sobre efeitos dos alongamentos:

along

 

No primeiro deles (Haddad et al.), indica-se que estímulos de alongamento estático prejudicam desempenho de potência (sprint de 30 metros e teste de 5 saltos). Porém, o alongamento dinâmico aprimorou a performance nestes mesmos testes! Curiosamente, a última frase do abstract deste artigo, que tem como título “Static Stretching Can Impair Explosive Performance For At Least 24 Hours“, é: “In conclusion, the positive effects of Dinamic Stretching on explosive performances seem to persist for 24-h“.

O segundo (Mizuno et al.) tem como título: “Stretching-induced deficit of maximal isometric torque is restored within 10 minutes“. Ou seja, se existe prejuízo na força isométrica MÁXIMA, ele é dirimido em menos de 10 minutos! Ou seja, o tempo entre o indivíduo alongar, beber água bater um papo e entrar na parte principal de uma sessão de treino que dure uns… 45 min. E, detalhe, os investigadores tiveram de manter a posição de alongamento de uma mesma articulação por 5 MINUTOS! 

Por fim, cuidado com generalizações… 😉

 

 

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