Perda de Peso em Lutadores – Sauna ou Banheira? – Atletas do UFC perdem até 16 kg para ‘enganar’ a balança

Atletas do UFC perdem até 16 kg para ‘enganar’ a balança

Lutadores fazem dietas para chegar ao limite de sua categoria no dia da pesagem.

E 24 horas depois ‘repõem’ boa parte do peso sem economia na comida.

 

Quem tentou sabe como é sofrido: perder dois ou três quilos em 30 dias requer concentração, abstinência, determinação, dieta justa, uma boa dose de exercícios e DNA generoso. É possível, claro. E o que dizer dos lutadores de MMA, em especial do UFC, que perdem até dez quilos em uma semana? Pode parecer propaganda de remédio milagroso que lima todos os quilinhos indesejáveis de nossos corpos, mas não é.

Não existe milagre que faça os atletas secarem tanto em tão pouco tempo. A fórmula é básica e simplória: fecham a boca e desidratam o corpo. José Aldo, dono do cinturão da categoria peso-pena no UFC, dá uma ideia do que são capazes. “Nos treinos estou pesando quase 77 quilos, mas em cinco dias consigo baixar para um pouco mais de 65 quilos” – o limite da sua categoria é 66 quilos. A dieta na semana da luta: café da manhã com uma fatia de pão light, trinta minutos de corrida, peito de frango com duas claras de ovo no almoço, algumas frutas, uma hora de treino técnico (para evitar contusões); e outro peito de frango com duas claras de ovo no jantar. E nada mais.
Vinte e quatro horas antes da pesagem oficial, que ocorre um dia antes da luta, os atletas cortam todo o tipo de líquido – eles precisam ficar dentro dos limites da categoria, sob o risco de não poder lutar. Depois da pesagem podem voltar a ganhar peso sem problema – e o fazem de modo tão rápido como quando perdem. “Antes da pesagem, continuo bebendo água, mas não em goles. É mais comum ficar apenas molhando a boca”, conta Aldo. No dia da luta, ele acorda ainda precisando perder quatro quilos. “Corro durante uma hora e depois passo três horas dentro da banheira de água quente” – a banheira equivale a uma sauna, desidrata, e evita que o corpo sinta demais a perda de líquido.
O procedimento de rápida perda de peso é comum entre os atletas de elite de MMA. Mas também há os que começam uma dieta três meses antes da luta. Rodrigo Minotouro, ex-campeão do UFC da categoria pesado, tem 110 quilos, mas na pesagem consegue chegar aos 100 para ficar mais leve e consequentemente mais rápido – o limite da categoria é 120 quilos. Diogo Souza, preparador físico do Team Nogueira, conta que a dieta é determinada por uma nutricionista e muda com a proximidade da luta. “É tudo controlado: à noite raramente se consome carboidrato; aminoácido só no caso de muito desgaste, e sempre há proteína após o treino.”
O procedimento varia de acordo com o biotipo do lutador. Alguns têm mais facilidade em perder peso, caso do campeão da categoria peso-médio Anderson Silva: ele chega a se livrar de dezesseis quilos para a pesagem e repõe o necessário para chegar ‘forte’ à luta. “A redução drástica não é aconselhada para todo atleta. Alguns sais minerais serão repostos apenas 66 horas depois”, explica Souza. E, claro, tudo isso tem um custo e compromete tanto o físico quanto psicológico. O baixo nível de carboidrato deixa os atletas mais stressados e baixa a imunidade. “Alguns ficam mais propícios a doenças. Não é raro lutarem com febre ou amidalite, por exemplo.”
Reposição – Depois da pesagem os atletas começam o trabalho para ganhar peso e chegar à luta com energia “máxima” – em 24 horas. A alimentação é a principal arma. Alguns atletas comem muita massa para suprir a ausência de carboidratos; outros preferem frutas e líquidos; e há os mais radicais, que até injetam soro na veia. “Como muita fruta e, aos poucos, volto a beber água. Quando o corpo já está mais acostumado com líquidos, tomo dois litros de soro na veia e o peso volta quase todo”, diz José Aldo, que entra no octógono com 72 quilos, peso que considera ideal para se tornar mais “ágil e veloz” – lembrando, na pesagem, 24 horas antes, ele não pode passar de 66 quilos. 
Mas essa reidratação brusca só deve ocorrer com os lutadores que precisam perder muito peso em pouco tempo. Souza explica que o atleta nunca repõe tudo o que perdeu, mas chega a um nível de recuperação que considera confortável para entrar no octógono. “Para trabalhar com uma margem segura, o certo é recuperar entre 65% e 75% do peso perdido. Se perde dez quilos, o ideal é ganhar sete.”
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