Taekwondo – Sem patrocínio, atletas do taekwondo vão às ruas pedir apoio para competir

Brazil Taekwondo Games 2011


Eles vão:

Sem patrocínio, atletas do taekwondo vão às ruas pedir apoio para competir

Campeões do Brazil Games se inspiram em universitários e, uniformizados, pedem dinheiro em semáforos para financiar viagem à competição

Por Adriano Albuquerque
Rio de Janeiro

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Os atletas exibem suas medalhas, cartazes e copos
Ver jovens com corpos pintados pedindo dinheiro nos semáforos é cena comum nos arredores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Muitos estudantes passam por este trote em seus primeiros períodos na faculdade, com o intuito de recolher fundos para as festas de confraternização dos alunos. A falta de patrocínio fez um grupo de jovens promessas do taekwondo adotar o mesmo expediente, mas com objetivo mais nobre: financiar a viagem da equipe para o Brazil Games, maior competição de faixas coloridas da modalidade na América Latina.

A ideia partiu de Marcos Vinícius, faixa verde com ponta azul de 16 anos, ao sair da escola e ver o trote universitário. O lutador da categoria até 68kg repassou seu plano aos companheiros de equipe da Associação Atlética Vila Isabel, que aderiram de imediato. A turma de 10 atletas, com idades entre 12 e 19 anos, se reúne todas as sextas-feiras – único dia da semana em que não treinam taekwondo – para pedir apoio pelas ruas do bairro. O time vai à batalha uniformizado, trajando quimonos e luvas, com incontáveis medalhas no peito e cartazes escritos “Atletas Sem Patrocínio” e “TKD SOS”.
Entre as jovens promessas, estão Carlos Roberto Junior, de 19 anos, e Leonardo Moreno, de 14 anos, ambos bicampeões do Brazil Games, e Érica Santos, de 16 anos, campeã do torneio no ano passado, entre outros medalhistas. Apesar dos resultados expressivos, o grupo é praticamente bancado pelo treinador Uirá Freitas, que acolheu alunos de projetos gratuitos no Salgueiro e Tijuca como bolsistas na Associação Atlética. O técnico já contou com apoios pontuais, geralmente de empresas de pais de alunos, mas na maioria das vezes tira do próprio bolso para levar os lutadores às competições.

Os jovens vão de carro em carro pedir apoio
Já deixei de comer um dia inteiro numa competição porque um dos meus alunos não tinha alimentação – conta Freitas, que explica o porque da dificuldade para conseguir patrocínio: – A primeira coisa que perguntam quando falamos de taekwondo é, “O que você faz?” O site da federação carioca não divulga os resultados e a CBTKD dá uma notinha sobre o Brazil Games, mas só dos faixas pretas. A maioria dos treinadores dá faixa preta com poucos anos de experiência, mas eu acredito que o taekwondo é uma arte marcial que precisa ser perpetuada. Se todos pensassem assim, teríamos atletas chegando à faixa preta só com 18 anos, mais preparados.

Para levar um grupo de 10 lutadores a São Paulo, onde acontece o Brazil Games entre 29 e 31 de julho, serão necessários R$ 1.400. Em três sextas de atividade em Vila Isabel, os alunos já recolheram cerca de R$ 200. Apesar de alguns olhares desconfiados e provocações de motoristas, os lutadores garantem que vêm sendo bem recebidos.
– Tem que chegar brincando, com bom humor, que eles recebem bem – diz Carlos Roberto Junior, bicampeão do Brazil Games na categoria até 54kg, de faixa azul ponta vermelha a ponta preta.
O mais extrovertido é Marcos Vinícius, que tem diversas técnicas para convencer os transeuntes a doar alguns trocados.
– Tem que elogiar primeiro as moças – explica o garoto de 16 anos, antes de interromper a entrevista para ir falar com as moças: – Boa tarde, princesa! Sou atleta sem patrocínio.
O treinador jura que não se envolve na arrecadação, iniciativa dos próprios alunos, mas deixa seu telefone à disposição para ligações a cobrar em caso de qualquer dificuldade que a turma enfrente. Mesmo que a brincadeira não traga o montante necessário, Freitas vai completar a verba para a viagem. Para ele, o mais importante é ver a união de seus atletas.
– Alguns deles não precisavam estar aqui, têm dinheiro, o pai ajuda. Mas eles estão juntos, gostam de ajudar uns aos outros, e isso só desenvolve a união da equipe – comenta o técnico.

FONTE: GLOBOESPORTE.COM

http://globoesporte.globo.com/lutas/noticia/2011/05/sem-patrocinio-atletas-do-taekwondo-vao-ruas-pedir-apoio-para-competir.html

23/05/2011 13h27 – Atualizado em 23/05/2011 13h28

Sem patrocínio, atletas do taekwondo vão às ruas pedir apoio para competir

Campeões do Brazil Games se inspiram em universitários e, uniformizados, pedem dinheiro em semáforos para financiar viagem à competição

Por Adriano AlbuquerqueRio de Janeiro

taekwondo da Associação Atlética Vila Isabel (Foto: Adriano Albuquerque/GLOBOESPORTE.COM)Os atletas exibem suas medalhas, cartazes e copos
(Foto: Adriano Albuquerque/GLOBOESPORTE.COM)

Ver jovens com corpos pintados pedindo dinheiro nos semáforos é cena comum nos arredores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Muitos estudantes passam por este trote em seus primeiros períodos na faculdade, com o intuito de recolher fundos para as festas de confraternização dos alunos. A falta de patrocínio fez um grupo de jovens promessas do taekwondo adotar o mesmo expediente, mas com objetivo mais nobre: financiar a viagem da equipe para o Brazil Games, maior competição de faixas coloridas da modalidade na América Latina.

A ideia partiu de Marcos Vinícius, faixa verde com ponta azul de 16 anos, ao sair da escola e ver o trote universitário. O lutador da categoria até 68kg repassou seu plano aos companheiros de equipe da Associação Atlética Vila Isabel, que aderiram de imediato. A turma de 10 atletas, com idades entre 12 e 19 anos, se reúne todas as sextas-feiras – único dia da semana em que não treinam taekwondo – para pedir apoio pelas ruas do bairro. O time vai à batalha uniformizado, trajando quimonos e luvas, com incontáveis medalhas no peito e cartazes escritos “Atletas Sem Patrocínio” e “TKD SOS”.

Entre as jovens promessas, estão Carlos Roberto Junior, de 19 anos, e Leonardo Moreno, de 14 anos, ambos bicampeões do Brazil Games, e Érica Santos, de 16 anos, campeã do torneio no ano passado, entre outros medalhistas. Apesar dos resultados expressivos, o grupo é praticamente bancado pelo treinador Uirá Freitas, que acolheu alunos de projetos gratuitos no Salgueiro e Tijuca como bolsistas na Associação Atlética. O técnico já contou com apoios pontuais, geralmente de empresas de pais de alunos, mas na maioria das vezes tira do próprio bolso para levar os lutadores às competições.

taekwondo da Associação Atlética Vila Isabel (Foto: Adriano Albuquerque/GLOBOESPORTE.COM)Os jovens vão de carro em carro pedir apoio
(Foto: Adriano Albuquerque/GLOBOESPORTE.COM)

– Já deixei de comer um dia inteiro numa competição porque um dos meus alunos não tinha alimentação – conta Freitas, que explica o porque da dificuldade para conseguir patrocínio: – A primeira coisa que perguntam quando falamos de taekwondo é, “O que você faz?” O site da federação carioca não divulga os resultados e a CBTKD dá uma notinha sobre o Brazil Games, mas só dos faixas pretas. A maioria dos treinadores dá faixa preta com poucos anos de experiência, mas eu acredito que o taekwondo é uma arte marcial que precisa ser perpetuada. Se todos pensassem assim, teríamos atletas chegando à faixa preta só com 18 anos, mais preparados.

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Para levar um grupo de 10 lutadores a São Paulo, onde acontece o Brazil Games entre 29 e 31 de julho, serão necessários R$ 1.400. Em três sextas de atividade em Vila Isabel, os alunos já recolheram cerca de R$ 200. Apesar de alguns olhares desconfiados e provocações de motoristas, os lutadores garantem que vêm sendo bem recebidos.

– Tem que chegar brincando, com bom humor, que eles recebem bem – diz Carlos Roberto Junior, bicampeão do Brazil Games na categoria até 54kg, de faixa azul ponta vermelha a ponta preta.

O mais extrovertido é Marcos Vinícius, que tem diversas técnicas para convencer os transeuntes a doar alguns trocados.

– Tem que elogiar primeiro as moças – explica o garoto de 16 anos, antes de interromper a entrevista para ir falar com as moças: – Boa tarde, princesa! Sou atleta sem patrocínio…

O treinador jura que não se envolve na arrecadação, iniciativa dos próprios alunos, mas deixa seu telefone à disposição para ligações a cobrar em caso de qualquer dificuldade que a turma enfrente. Mesmo que a brincadeira não traga o montante necessário, Freitas vai completar a verba para a viagem. Para ele, o mais importante é ver a união de seus atletas.

– Alguns deles não precisavam estar aqui, têm dinheiro, o pai ajuda. Mas eles estão juntos, gostam de ajudar uns aos outros, e isso só desenvolve a união da equipe – comenta o técnico.

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