Jade Barbosa, com 19 anos: “Eu não tinha alternativa, a não ser voltar para a ginástica”

31/10/2010 – 07h30
‘Madura’, Jade diz que voltou para a ginástica por falta de alternativa
CRISTIANO CIPRIANO POMBO
DE SÃO PAULO

http://www1.folha.uol.com.br/esporte/823026-madura-jade-diz-que-voltou-para-a-ginastica-por-falta-de-alternativa.shtml

 

“Não, ainda não sou uma mulher. Mulher é uma palavra muito forte. Estou mais madura sim. Não tenho mais 15, 16 anos. Tenho 19. Mas tenho que aprender muito.”

Para Jade, geração se sacrificou pela modalidade
A ginástica atrasa muita coisa na vida de uma menina, afirma Jade.

Assim a carioca Jade Barbosa, 19, se vê após recuperar o status de estrela da ginástica artística feminina do país ao ir ao pódio no Mundial de Roterdã, o mais concorrido da história (com 537 atletas).

Ela diz hoje que não é capaz de surpreender o mundo, como fez aos 13 anos, quando foi a mais jovem a executar o duplo twist carpado de Daiane dos Santos. Mas afirma ser capaz de se surpreender.

“Eu só queria competir bem no Mundial. E ganhei medalha [de bronze]. Para mim, foi surpresa”, diz Jade.

Mas admite que, a exemplo de 2007, quando levou a medalha de bronze no individual geral (soma de solo, trave, paralelas assimétricas e salto), a ficha ainda não caiu.

Para ela, a volta à ginástica, iniciada de forma tímida no meio do ano passado, e o namoro com o ginasta Henrique Motta, que dura quatro meses, marcam “o início de um bom momento” em sua vida, após tantos desalentos.

“Eu não tinha alternativa, a não ser voltar para a ginástica”, diz Jade, revelando que pensou em parar com a carreira devido à lesão irreversível que carrega no punho direito necrose no osso capitato, sofrida na preparação para a Olimpíada de 2008.

“Pensei muitas vezes que não daria. A dor era forte, e ninguém achava solução”, diz a atleta do Flamengo.

Essa foi a segunda vez que cogitou sair do esporte _a primeira foi aos dez anos, ao perder a mãe, Natália, vítima de aneurisma, em 2001.

Ela diz que a ginástica, que já havia feito com que ela superasse a morte da mãe, foi vital de novo para que retomasse a rotina e ficasse mais forte. “Eu amadureci neste processo. Foi muito doloroso, nem gosto de falar. Só me lembro de que eu brincava com meu pai, dizendo a ele que, para Deus, eu era muito especial mesmo, pois até na lesão eu era diferente, rara.”

Tão rara quanto Jade, que, ao ser descoberta no Flamengo, fez a então treinadora Georgette Vidor declarar que a atleta se tratava de “uma em um milhão” pelo talento.

Mas só a técnica apurada não aplacou as dores, o que só foi possível devido ao que chama de “rede do amor”, com o apoio da família (pai, madrasta e irmão) e a compreensão dos técnicos (Viviane Cardoso e Ricardo Pereira), que lhe permitem dosar o treino conforme seu estado.

O namorado também, diz ela, é importante. “Ele [Henrique] era o que eu precisava, pois eu não tinha com quem dividir as coisas no ginásio. E, como atleta, ele entende, me cobra e me acompanha.”

VIDA NOVA

Para Jade, com o fim da seleção permanente e o regime fechado em Curitiba, após a Olimpíada-08, um mundo se abriu, e nele antigas paixões voltaram à vida, como ir à praia, pular carnaval, fazer amigos, estudar, desenhar, tomar sorvete e beber água.

Ingerir o líquido incolor, inodoro e insípido, aliás, foi uma conquista para ela, que revelou ter recorrido ao chuveiro para matar a sede às vésperas dos Jogos –dirigentes vetavam a água, na crença de que ela tornava as ginastas mais pesadas.

“Hoje bebo dois litros por dia, normal”, diz ela, que, assim, consegue controlar os cálculos renais —ela tinha 15 pedras há um ano e meio.

Entrou água, saíram remédios. E, após quase um ano de rusgas com a antiga direção da confederação de ginástica e de mendigar atrás de cura –vendia camisas para comprar remédio–, Jade sonha em voltar à Olimpíada.

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