Do BLOG do Juca Kfouri –> http://blogdojuca.blog.uol.com.br

O COB morreu. Viva o COBRE!

Se a CBF é a Casa Bandida do Futebol, o COB passa a ser, de agora em diante, o COBRE.

E nem é pelo metal, que apenas honra os que o conquistam nas competições.

E porque o sr. Carlos Nuzman, em seu infinito cinismo, ainda quer mais que o 1 bilhão e 200 milhões de reais investidos pelo governo federal nos últimos quatro anos em esportes de alto rendimento.

Ele quer mais!

Ele só fala em cobrar, mas contas não quer prestar.

O COB morreu. Viva o COBRE!

 

Na ‘Folha" de hoje
JUCA KFOURI
O rabo de cavalo e o ninho de rato

Como cobrar dos atletas se a fauna da cartolagem nacional tem todos os bichos, menos os mais nobres?

GANHAR OU PERDER faz parte do esporte e dos chavões da vida. Quase redundância.

Sem educação, saúde e política esportiva, ganhar é sinônimo de surpresa num país como o Brasil, fora as exceções de praxe.

Perder é a regra e, a rigor, não tem maior importância se houvesse pelo menos um esforço no sentido de pensar o esporte como fator de saúde pública (cada dólar investido no esporte economiza três na saúde pública, segundo a Organização Mundial da Saúde) e de inclusão social.

Mas qual!

Verdade que nunca antes neste país se investiu tanto em esporte, mas só no de alto rendimento.

Quase R$ 1,2 bilhão no último ciclo olímpico, graças a leis como a Lei Piva e a lei de incentivo ao esporte, além dos diversos convênios com empresas estatais do tipo Banco do Brasil, Correios, Caixa Econômica Federal etc.

Dividido por 15 medalhas, o mesmo número ganho em Atlanta, 12 anos atrás, cada medalha custou cerca de R$ 79 milhões, para nem falar que as três de ouro foram menos que as cinco de Atenas.

Porque isso, de fato, é o de menos.

Ficar atrás no quadro de medalhas de países ainda piores como Jamaica, Quênia ou Etiópia é tão circunstancial como ficar adiante da Nova Zelândia, da Suécia ou do Chile.

Porque o Brasil não é pior que o trio que o superou nem muito menos melhor do que o que ficou atrás, simplesmente porque os primeiros também têm seus fenômenos e os últimos têm outras prioridades.

Terrível mesmo, além de ver os sucessivos governos brasileiros cúmplices dos cartolas, é pegar um como o sr. Carlos Nuzman em meio às mentiras patéticas que tentou nos enfiar goela abaixo em seu balanço pós-Pequim, quando quis provar que o desempenho brasileiro cresceu.

Só se for como o crescimento de rabo de cavalo.

Tudo, é claro, para pedir ainda mais recursos e para incrementar a campanha pelos Jogos Olímpicos no Brasil, em 2016, com a anuência, também, do domado Rei Pelé.

Certo está o jornalista Vinícius Nicoletti, da ESPN Brasil, que inspirado no Ninho de Pássaro, de Pequim, propôs um Ninho de Rato para o Rio de Janeiro, para que nossos cartolas não se sintam deslocados, peixes fora d’água.

Porque chega a ser acintoso, um deboche mesmo, que Nuzman, desde 1995 na presidência do Comitê Olímpico Brasileiro, nos impinja discurso tão desqualificado, incapaz de buscar soluções, porque as soluções que busca se limitam às que atendam ao seu bem-estar, mordomias e privilégios.

Papagaio de pirata em cada medalha conquistada, Nuzman foi sumindo dia após dia em que os resultados por sorte ou por azar não vinham, porque o acaso não é aliado dos incompetentes, para dizer o mínimo.

Como o digníssimo ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., que sumiu, qual um avestruz ou como a vara de Murer, embora tenha um discurso quase impecável, a léguas de distância da prática, mais para Jadel do que para Maurren.

E não é que depois de ter tentado vetar a ida da psicóloga do vôlei feminino, Nuzman quer agora que cada delegação leve uma?

Mas nem Freud explica este país da rapaziada bronzeada.
blogdojuca@uol.com.br

 

Previsões, previsões, nada mais que previsões

Lembra das previsões da Pricewaterhousecoopers para Pequim, repleta de explicações científicas?

Era tudo baseado em desempenho anteriores nos Jogos Olímpicos de 1988 para cá, em índices de desenvolvimento de cada país, suas populações, produtividade etc.

Pois eles previram 88 medalhas para a China, que conquistou 100.

Os EUA ficariam com 87 e ficaram com 110.

A Rússia com 79, sete a mais do que obtiveram.

Com a Alemanha, foram bem: previram 43, os alemães ganharam 41.

Com a Itália também: imaginaram 29, deu 28.

Acertaram na mosca com as medalhas cubanas: 24!

Mas previram 41 e a Austrália ganhou 46.

Para o Japão seriam 34 e foram 25.

Para França, pensaram em 30. Foram 40!

E não erraram muito conosco: o Brasil ganharia 12 e ganhou 15.

Mas, seja feita justiça, com pequenas inversões de colocações, eles acertaram os 12 primeiros.

Como na conta deles vale o total de medalhas, os Estados Unidos seriam os primeiros e não a China, como previram.

O erro mais grosseiro foi com o Reino Unido, que eles previram em nono lugar e foi quarto também no critério por total de medalhas.

Mas acertaram, por exemplo, a Rússia em terceiro.

 

O rabo de cavalo de Carlos Nuzman

O presidente do Comitê Olímpico Brasileiro teve a coragem de dizer que o Brasil progrediu em Pequim.

De Atenas, quatro anos atrás, o Brasil trouxe cinco medalhas de ouro.

Desta vez trouxe três.

Em Atlanta, 12 anos atrás, o Brasil ganhou as mesmas 15 medalhas de Pequim.

O desempenho brasileiro cresceu para baixo, como rabo de cavalo.

Pior ainda porque nunca antes neste país se dera tanto dinheiro ao esporte de competição, nada menos do que 1 bilhão e duzentos mil reais, nos últimos quatro anos.

Cada medalha custou, portanto, a monstruosidade de 80 milhões de reais.

E não se investe quase nada na prática de esportes nas escolas, nas favelas, entre os de terceira idade, portadores de deficiência etc.

E não se leva em conta os dados da Organização Mundial da Saúde que ensinam que cada dólar que se investe em massificação do esporte significa poupar três em saúde pública.

A entrevista de Nuzman foi mais deprimente que a perda da vara da saltadora brasileira ou que o choro do nosso judoca excluído ou do nosso ginasta caído.

Se Maurren Mágica, o vôlei feminino e César Cielo Filho de Ouro são mesmo de ouro;

se o vôlei masculino de quadra, de praia, o futebol feminino e o iatismo são de prata;

e se ainda houve o vôlei de praia masculino que é de bronze, como a Falavigna do taekwondo, as velejadoras, até o futebol masculino, além dos judocas, do Cielo de novo, Nuzman volta da China também com uma medalha:

obviamente de lata!

Comentário para o Jornal da CBN desta segunda-feira, 25 de agosto de 2008.

http://cbn.globoradio.globo.com/cbn/comentarios/jucakfouri.asp

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